Um blog do Travellerspoint

Chile

Dia 17 - Santiago - Buenos Aires

overcast 2 °C

Fui acordado pelo Novello, que estava em pânico, porque o celular não despertou e estávamos atrasados. Ele só acordou porque o gringo que estava na outra cama do nosso quarto fez barulho. Ainda tínhamos que ir pro outro albergue buscar a nossa bagagem. Fomos voando pra lá, eram vários quarteirões de distância. O Novello estava muito atrasado pra pegar o vôo. Me despedi dele, e fui dar uma volta no Cerro Santa Lucía, um pequeno morro próximo do centro, que também tinha uma vista bonita pra cordilheira.

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Depois peguei um ônibus que foi seguindo uma avenida em direção a cordilheira, passando pelos bairros de Providência, Vitacura e Las Condes. Desci em Las Condes, praticamente aos pés das montanhas. As estações de esqui estavam a poucos quilômetros dali, subindo por estreiras e ingremes estradas. O bairro era muito bonito, só de casas de alto padrão.

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Voltei pro albergue, peguei minha bagagem e fui pro aeroporto.

O Chile fica na memória como um país de paisagens maravilhosas, limpo, organizado, seguro, com pouca pobreza e um povo muito educado e receptivo. Em nenhum momento fui abordado por crianças maltrapilhas vendendo chicletes. Não fomos abordados por vendedores de amendoim e nem por jovens engraxates nos bares. Não vi familias dormindo nas ruas em cima de pedaços de papelão, camelôs ocupando as calçadas, policiais com fuzil na mão, carros avançando sinal vermelho ou estacionados em cima das calçadas, flanelinhas, vans infestando as ruas com bandalhas, nem gente pedindo esmola. Vi sim um povo que vive com muita dignidade, em um país quase europeu, e muito pouco latino-americano. É sem dúvida um modelo para a América Latina, e nos dá esperança de que um dia o Brasil chegue lá também.

Cheguei em Buenos Aires as 11 da noite, e minhas amigas argentinas (Laura e Carol) tinham ido lá no aeroporto me buscar. Essa noite estava fazendo um frio de rachar em Buenos Aires, apenas 2 graus. Elas me levaram pro albergue (Milhouse Hostel), que ficava numa das principais ruas do centro da cidade, a Hipólito Yrigoyen (ou "chirigóchem", como dizem os argentinos). Elas ficaram esperando na recepção enquanto eu tomava um banho e trocava de roupa. O Novello estava dormindo quando cheguei no quarto. Passou o dia inteiro dormindo. Nos arrumamos e fomos os quatro pra Recoleta. A noite de Buenos Aires encanta pela energia que tem. Muita gente nas ruas, muito agito, vários bares, restaurantes e boates lotados até tarde. É normal as pessoas sairem pra jantar depois das 22h, e só pensar em entrar em alguma boate lá pelas 2 da manhã. A noite nas boates de lá costuma bombar até o sol raiar. Comemos no McDonald's, e chamamos as meninas pra sair com a gente, mas elas tinham que acordar cedo no dia seguinte, e não podiam ir. Nos despedimos delas e fomos pra night. Mal saímos do McDonald's, e fomos abordados por várias crianças vendendo chicletes. Realmente não estamos mais no Chile. A pobreza na Argentina é bem mais aparente que no Chile, ainda que seja muito menor que no Brasil. Fomos pra Sahara, uma boate muito louca com 3 andares de frente pro cemitério da Recoleta. Ao entrar pelo primeiro andar, não acreditei no que vi: lambaeróbica (Tchakabum - "Olha a onda"), com direito a dançarino brasileiro em cima de um pequeno palco convidando as moiçolas mais sapecas a dançar com ele. O cara falava um portunhol muito do fajuto, era maior comédia. Ver as argentinas tentando imitar a coreografia foi sem preço ! Várias gatas, tava bombando. Uma coisa é certa, as argentinas ganham de goleada das chilenas. Que diferença ! Saimos de lá às 5, e ainda estava cheio.

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Dia 16 - Santiago

overcast 7 °C

Chegamos em Santiago no final da tarde, e fomos pra um outro albergue chamado Londres, na rua de mesmo nome, no bairro de Providencia. Esta é uma foto da rua:

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Não era bem albergue, lembrava aqueles hotéis antigos e bem simples que tem na Lapa. O quarto era grande, mas bem simples, e o banheiro era coletivo. Tomamos uma ducha e fomos aproveitar a última night chilena dessa viagem. Fomos pra Av Suécia de novo, e entramos numa boate chamada Green Bull, que ficava do lado do Red Bull, que havíamos ido antes. Estava bombando. o DJ de repente abaixou a música e começou a convidar "Las candidatas para el concurso de la braga". "Braga" é calcinha em espanhol, só lembrando. Eu e Novello não acreditávamos no que estávamos vendo. A primeira candidata subiu no balcão do bar, e começou a rebolar o seu pouco avantajado traseiro, meio desengonçada, mostrando o cofrinho e a calcinha sapeca brotando pra fora da calça jeans. A galera foi ao delírio. Veio a segunda candidata, bem melhor, e digamos, bem mais ousada. Ganhou de goleada e foi ovacionada por todos. Voltou a música normal, e todos continuaram a dançar como se nada tivesse acontecido. Deve ter sido só uma pausa pra descontrair. Começou a tocar umas salsas chilenas meio doidas, e dançamos com umas muchachas locais. Conheci uma chilena bem gente boa, que ficou me ensinando uns passos de salsa. Misturei com o pouco que sabia de forró, e a mistura até que deu certo. É gol do Brasilllllllll !!! Saimos as 5 da manhã, pois os carabineros como sempre cortaram o barato da festa. Voltamos de ônibus, como todo mundo fazia. Ao chegar no albergue, a surpresa: ele estava fechado e só abria as 7 da manhã ! Só faltava essa. O que íamos fazer ? Ficar 2 horas na calçada congelando com um frio de 2 graus ? Resolvemos ir pro outro albergue que tínhamos ficado antes, o Hostelling International, só pra dormir, sem bagagem nenhuma. No meio do caminho, paramos pra comer um "podrão" numa carrocinha na calçada. Para nossa surpresa, o sanduíche tinha recheio de abacate (ou palta, como eles chamam). Tudo lá leva essa pasta verde. Chegamos no albergue. O Novello tinha que acordar às 11h, pra pegar o vôo pra Buenos Aires. O meu vôo era só a noite. Coloquei meu celular pra despertar e fomos dormir.

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Dia 15 - San Pedro de Atacama - Santiago

sunny 20 °C

Nosso último dia em San Pedro. Acordamos meio tarde. Tirei esta foto do nosso albergue:

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No corredor do nosso quarto encontramos as paulistas que haviamos conhecido, e um francês. Uma das paulistas contou a epopéia dela pra chegar lá. Foi de ônibus pra Corumbá-MS, depois na Bolívia pegou o Trem da Morte até Santa Cruz de la Sierra, horas e horas de ônibus por estradas precárias até La Paz, depois Uyuni, e mais uma travessia tortuosa e cansativa de jeep pela Cordilheira dos Andres até San Pedro. Falou que chegou a pegar -20 graus de frio na Bolívia. Não sei se teria coragem de enfrentar tanto perrengue em sequência. O francês contou que estava no Chile para conhecer e avaliar os vinhos chilenos. Quem diria. Fomos almoçar num pequeno restaurante, mostrado na foto abaixo.

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Era muito rústico e barato. O garçom era muito simpatico e nos tratou muito bem ao saber que éramos brasileiros. Comemos uma lentilha com frango e legumes que estava muito boa. Aproveitamos o resto da tarde pra dar uma volta pela cidade.

Uma simpática praça:

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Igreja do século 16:

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Conhecemos o Museu Arqueológico de San Pedro, onde pudemos conhecer um pouco da cultura dos atacamenhos que viviam ali há 5000 anos (mesma época dos faraós egipcios), incluindo múmias, lanças, cerâmicas e fragmentos de roupas.

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No final da tarde, fomos pegar o ônibus e iniciamos nossa longa jornada de 24 horas de volta pra Santiago.

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Dia 14 - San Pedro de Atacama

sunny -5 °C

Madrugamos hoje às 4:30 da manhã. O frio era intenso, abaixo de zero. A van estava esperando a gente no albergue e partimos em direção aos Geisers del Tatio, a principal atração turística do deserto do Atacama. Viajamos cerca de 100km por estradas esburacadas numa van lotada de gringos, subindo a 4300m de altitude. Quando chegamos, ainda estava escuro. Ao sair da van, fiquei na dúvida se não havíamos sido teletransportados para Marte. Dificil descrever só com palavras o que estava diante dos meus olhos. Em meio a escuridão, ao ar rarefeito e ao frio intenso de -5 graus, estávamos num platô com dezenas de buracos no chão, dos mais diversos tamanhos, de onde jorrava água quente e saía uma fumaça o tempo todo, com um cheiro estranho.

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Não podia ser o planeta Terra. Nenhum sinal de vida, a não ser os turistas que saiam às pencas das vans que não paravam de chegar. Começou a amanhecer. O cenário ficou mais incrível ainda com sol ainda tímido querendo aparecer no horizonte.

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Os geisers são formados por águas de rios subterrâneos que entram em contato com a lava do vulcão Tatio e fervem, sendo expelidas pra superfície.

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Apesar de ser bonito, não podíamos nos aproximar muito dos buracos maiores, que eram verdadeiras crateras, pois o risco de uma erupção repentina de água fervendo sempre existia. O guia nos contou que um turista havia morrido ali há pouco tempo por tropeçar e cair num buraco daqueles. No lugar havia também uma piscina de águas termais, mas não havíamos levado roupa de banho.

Veja alguns vídeos que gravamos no local:

Mais tarde a van nos levou de volta pra San Pedro, mas antes fez uma parada rápida em um pequeno vilarejo, onde o Novello comeu carne de Lhama. No caminho vimos também vicunhas, que também são comuns na região.

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De volta a San Pedro, demos uma descansada no albergue de tarde. A noite saímos comer algo, e depois fomos pra noitada. Caminhando pelas ruas empoeiradas, encontramos um bar que tinha uma pista tocando musica eletrônica. Tomamos uma cerveja lá, e conhecemos mais dois brasileiros (paulistas, pra variar, hehe). O lugar tava meio vazio, tinha só umas chilenas meio marrentas. Os paulistas disseram que conheciam outro lugar melhor, e fomos com eles pra lá. Esse outro bar era bem melhor, estava mais cheio e animado. Tocava música eletrônica tambem. Tinha umas gringas soltas por lá, nada muito interessante. Quando estava no melhor da festa, o DJ desligou o som, as luzes foram acesas, e o gerente do bar pediu pra todos se retirarem. Já estava quase esquecendo que estava no Chile. Os carabineros (polícia chilena) haviam entrado exatamente as 2 da manhã, cortando o barato da galera. Não tinha jeito, game over, viramos todos abóbora. Nessa hora bateu uma saudade do Brasil. Era a hora em que qualquer night estaria bombando no Rio. Voltamos meio frustrados pro albergue e cama.

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Dia 13 - San Pedro de Atacama

sunny 20 °C

Conhecemos no albergue duas paulistas, e fomos todos juntos conhecer o Salar del Atacama, que fica a 55 Km de San Pedro. O lugar é impressionante. Kilometros e kilometros de pedras de sal indo até o horizonte, com pequenos lagos cheios de flamingos. A paisagem é única, de um branco intenso contrastando com o azul do céu.

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Esta região era imenso lago de águas salgadas, que secou com mudanças climaticas que aconteceram há cerca de 13 mil anos, e por isso o sal ficou depositado nesta região. Depois fomos conhecer as Lagunas Altiplanicas, que ficam a impressionantes 4500m de altitude. Estas lagoas são formadas a partir do degelo da neve da cordilheira. A paisagem formada pelas águas azul turqueza das lagoas aos pés dos vulcões da Cordilheira dos Andes, no meio do deserto, é uma das mais bonitas que já vi na minha vida. Era algo surreal. Os olhos custavam a acreditar no que estavam vendo.

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No caminho de volta, paramos num pequeno vilarejo chamado Tacanao. Estávamos com um grupo de chilenos na van, e o guia nos levou pra uma casa rústica, onde cozinheiras da própria região prepararam o almoço, que foi delicioso. Depois fomos conhecer um pouco mais do vilarejo, onde ele mostrou o sistema de irrigação que o governo chileno implantou no local, e também uma loja de souvenirs, onde tiramos foto com umas lhamas.

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O vilarejo era bem rústico, seus habitantes eram pessoas simples, mas não se via miséria. Não vi sofrimento naqueles rostos com traços indigenas. Vc percebia que as pessoas viviam com dignidade, ao contrário do que acontece no sertão nordestino. Voltamos pro albergue e fomos dormir cedo, pois no dia seguinte teriamos que acordar as 4:30 da manhã para outro passeio.

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