Um blog do Travellerspoint

Julho 2004

Dia 19 - Buenos Aires - Rio

sunny 5 °C

Cheguei em casa as 9 da manhã. Depois, a noite, liguei pro Novello, que já tinha chegado no Rio, pra saber como tinha sido o desfecho da noitada. Fim de jogo !! Viagem sensacional que vai deixar saudades !

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Dia 18 - Buenos Aires

sunny 10 °C

Acordamos às 3 da tarde e saimos pra aproveitar último dia da viagem. Almoçamos no La Estancia, uma churrascaria tradicional que fica na Calle Lavalle. O detalhe é que as churrascarias na Argentina não tem rodízio, somente à la carte. Pedimos uma parrillada, que é um "combinado" com difersos cortes de carne de nomes estranhos: Asado de Tira (costela), Bife de Lomo (filé mignon), Bife de Chorizo (contra-filé), longanizas (linguiças), morcilla (chouriço), e mais outros cortes não identificados. Apesar de não ter tantas guarnições como nas churracarias do Brasil (tem que ficar pedindo à parte), achei muito boa a carne. Fomos depois visitar o básico da cidade: caminito, Plaza de Mayo, Casa Rosada, Congresso, Plaza San Martin (monumento aos soldados das Malvinas) e Puerto Madero.

Obelisco:

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Caminito:

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Casa Rosada:

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Barrio Norte:

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Plaza San Martin:

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Já havia anoitecido. Voltamos pro albergue e fomos nos arrumar pra última night da viagem. Liguei pra Carol, que me chamou pra uma festa no Asia de Cuba, um bar/boate em Puerto Madero. Chegamos lá perto de 1h da manhã (sim, tudo lá começa mais tarde !). Entramos, demos uma olhada, mas não encontramos com ela. Como não estava com o celular dela, desistimos de encontrar com ela e partimos pro plano B: a imponente boate Opera Bay, que ficava ali mesmo em Puerto Madero. Olhando de fora, a arquitetura do lugar lembrava um pouco a Opera de Sydney, e ainda tinha umas luzes coloridas. Muito bonita. Tinha uma fila na porta, várias gatas, e um segurança controlando a entrada. Ao chegar nossa vez, ele pergunta: "Lista de quien ?" Respondemos, em português mesmo "Lista de ninguém". Ele ficou olhando pra gente, meio sem entender, e perguntou: "Brasileros ?" "Sim, respondemos". Ele deixou a gente entrar como se tivesse nome na lista ! O lugar dentro era bem grande, mas não ficamos nem meia hora lá dentro, porque logo vimos que era meio figuração, e que não ia dar muito resultado. Partimos pra boa e velha Sahara. Estava lotada. Conheci uma argentina logo no inicio. Tive que ir embora cedo, pois meu vôo era às 5H. Me despedi do Novello, fui buscar minha bagagem no albergue e peguei um taxi pro aeroporto.

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Dia 17 - Santiago - Buenos Aires

overcast 2 °C

Fui acordado pelo Novello, que estava em pânico, porque o celular não despertou e estávamos atrasados. Ele só acordou porque o gringo que estava na outra cama do nosso quarto fez barulho. Ainda tínhamos que ir pro outro albergue buscar a nossa bagagem. Fomos voando pra lá, eram vários quarteirões de distância. O Novello estava muito atrasado pra pegar o vôo. Me despedi dele, e fui dar uma volta no Cerro Santa Lucía, um pequeno morro próximo do centro, que também tinha uma vista bonita pra cordilheira.

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Depois peguei um ônibus que foi seguindo uma avenida em direção a cordilheira, passando pelos bairros de Providência, Vitacura e Las Condes. Desci em Las Condes, praticamente aos pés das montanhas. As estações de esqui estavam a poucos quilômetros dali, subindo por estreiras e ingremes estradas. O bairro era muito bonito, só de casas de alto padrão.

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Voltei pro albergue, peguei minha bagagem e fui pro aeroporto.

O Chile fica na memória como um país de paisagens maravilhosas, limpo, organizado, seguro, com pouca pobreza e um povo muito educado e receptivo. Em nenhum momento fui abordado por crianças maltrapilhas vendendo chicletes. Não fomos abordados por vendedores de amendoim e nem por jovens engraxates nos bares. Não vi familias dormindo nas ruas em cima de pedaços de papelão, camelôs ocupando as calçadas, policiais com fuzil na mão, carros avançando sinal vermelho ou estacionados em cima das calçadas, flanelinhas, vans infestando as ruas com bandalhas, nem gente pedindo esmola. Vi sim um povo que vive com muita dignidade, em um país quase europeu, e muito pouco latino-americano. É sem dúvida um modelo para a América Latina, e nos dá esperança de que um dia o Brasil chegue lá também.

Cheguei em Buenos Aires as 11 da noite, e minhas amigas argentinas (Laura e Carol) tinham ido lá no aeroporto me buscar. Essa noite estava fazendo um frio de rachar em Buenos Aires, apenas 2 graus. Elas me levaram pro albergue (Milhouse Hostel), que ficava numa das principais ruas do centro da cidade, a Hipólito Yrigoyen (ou "chirigóchem", como dizem os argentinos). Elas ficaram esperando na recepção enquanto eu tomava um banho e trocava de roupa. O Novello estava dormindo quando cheguei no quarto. Passou o dia inteiro dormindo. Nos arrumamos e fomos os quatro pra Recoleta. A noite de Buenos Aires encanta pela energia que tem. Muita gente nas ruas, muito agito, vários bares, restaurantes e boates lotados até tarde. É normal as pessoas sairem pra jantar depois das 22h, e só pensar em entrar em alguma boate lá pelas 2 da manhã. A noite nas boates de lá costuma bombar até o sol raiar. Comemos no McDonald's, e chamamos as meninas pra sair com a gente, mas elas tinham que acordar cedo no dia seguinte, e não podiam ir. Nos despedimos delas e fomos pra night. Mal saímos do McDonald's, e fomos abordados por várias crianças vendendo chicletes. Realmente não estamos mais no Chile. A pobreza na Argentina é bem mais aparente que no Chile, ainda que seja muito menor que no Brasil. Fomos pra Sahara, uma boate muito louca com 3 andares de frente pro cemitério da Recoleta. Ao entrar pelo primeiro andar, não acreditei no que vi: lambaeróbica (Tchakabum - "Olha a onda"), com direito a dançarino brasileiro em cima de um pequeno palco convidando as moiçolas mais sapecas a dançar com ele. O cara falava um portunhol muito do fajuto, era maior comédia. Ver as argentinas tentando imitar a coreografia foi sem preço ! Várias gatas, tava bombando. Uma coisa é certa, as argentinas ganham de goleada das chilenas. Que diferença ! Saimos de lá às 5, e ainda estava cheio.

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Dia 16 - Santiago

overcast 7 °C

Chegamos em Santiago no final da tarde, e fomos pra um outro albergue chamado Londres, na rua de mesmo nome, no bairro de Providencia. Esta é uma foto da rua:

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Não era bem albergue, lembrava aqueles hotéis antigos e bem simples que tem na Lapa. O quarto era grande, mas bem simples, e o banheiro era coletivo. Tomamos uma ducha e fomos aproveitar a última night chilena dessa viagem. Fomos pra Av Suécia de novo, e entramos numa boate chamada Green Bull, que ficava do lado do Red Bull, que havíamos ido antes. Estava bombando. o DJ de repente abaixou a música e começou a convidar "Las candidatas para el concurso de la braga". "Braga" é calcinha em espanhol, só lembrando. Eu e Novello não acreditávamos no que estávamos vendo. A primeira candidata subiu no balcão do bar, e começou a rebolar o seu pouco avantajado traseiro, meio desengonçada, mostrando o cofrinho e a calcinha sapeca brotando pra fora da calça jeans. A galera foi ao delírio. Veio a segunda candidata, bem melhor, e digamos, bem mais ousada. Ganhou de goleada e foi ovacionada por todos. Voltou a música normal, e todos continuaram a dançar como se nada tivesse acontecido. Deve ter sido só uma pausa pra descontrair. Começou a tocar umas salsas chilenas meio doidas, e dançamos com umas muchachas locais. Conheci uma chilena bem gente boa, que ficou me ensinando uns passos de salsa. Misturei com o pouco que sabia de forró, e a mistura até que deu certo. É gol do Brasilllllllll !!! Saimos as 5 da manhã, pois os carabineros como sempre cortaram o barato da festa. Voltamos de ônibus, como todo mundo fazia. Ao chegar no albergue, a surpresa: ele estava fechado e só abria as 7 da manhã ! Só faltava essa. O que íamos fazer ? Ficar 2 horas na calçada congelando com um frio de 2 graus ? Resolvemos ir pro outro albergue que tínhamos ficado antes, o Hostelling International, só pra dormir, sem bagagem nenhuma. No meio do caminho, paramos pra comer um "podrão" numa carrocinha na calçada. Para nossa surpresa, o sanduíche tinha recheio de abacate (ou palta, como eles chamam). Tudo lá leva essa pasta verde. Chegamos no albergue. O Novello tinha que acordar às 11h, pra pegar o vôo pra Buenos Aires. O meu vôo era só a noite. Coloquei meu celular pra despertar e fomos dormir.

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Dia 15 - San Pedro de Atacama - Santiago

sunny 20 °C

Nosso último dia em San Pedro. Acordamos meio tarde. Tirei esta foto do nosso albergue:

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No corredor do nosso quarto encontramos as paulistas que haviamos conhecido, e um francês. Uma das paulistas contou a epopéia dela pra chegar lá. Foi de ônibus pra Corumbá-MS, depois na Bolívia pegou o Trem da Morte até Santa Cruz de la Sierra, horas e horas de ônibus por estradas precárias até La Paz, depois Uyuni, e mais uma travessia tortuosa e cansativa de jeep pela Cordilheira dos Andres até San Pedro. Falou que chegou a pegar -20 graus de frio na Bolívia. Não sei se teria coragem de enfrentar tanto perrengue em sequência. O francês contou que estava no Chile para conhecer e avaliar os vinhos chilenos. Quem diria. Fomos almoçar num pequeno restaurante, mostrado na foto abaixo.

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Era muito rústico e barato. O garçom era muito simpatico e nos tratou muito bem ao saber que éramos brasileiros. Comemos uma lentilha com frango e legumes que estava muito boa. Aproveitamos o resto da tarde pra dar uma volta pela cidade.

Uma simpática praça:

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Igreja do século 16:

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Conhecemos o Museu Arqueológico de San Pedro, onde pudemos conhecer um pouco da cultura dos atacamenhos que viviam ali há 5000 anos (mesma época dos faraós egipcios), incluindo múmias, lanças, cerâmicas e fragmentos de roupas.

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No final da tarde, fomos pegar o ônibus e iniciamos nossa longa jornada de 24 horas de volta pra Santiago.

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