Um blog do Travellerspoint

Junho 2013

Dia 25 - Belgrado - Rio

sunny 35 °C

Hora de dizer adeus à Sérvia e iniciar minha longa jornada de volta ao Brasil. Fiz o checkout no albergue, comprei um croissaint numa padaria (50 dinars = R$1,25) e peguei o ônibus 72 no ponto final dele, na rua Zeleni Venac, rumo ao aeroporto.

B4CF57D62219AC68173E0E75DEEA3489.jpg

Uma pequena favela com barracos de madeira no caminho pro aeroporto:

B4D007752219AC68176BDD0840E19353.jpg

Uma área rural na periferia da cidade:

B4D16E1F2219AC68176EE78CC0961535.jpg

Depois de 2:30 de voo, troquei os 35 graus de Belgrado pelos 13 graus de Paris.

Chá de aeroporto: foram 6h de espera em Paris. Mesmo sendo apenas uma conexão, precisei passar pela imigração, e tive até o passaporte carimbado. Eu podia sair do aeroporto e dar uma volta por Paris pra passar o tempo, mas estava frio e garoando. Achei melhor ficar blogando no aeroporto até a hora de embarcar às 23h.

11 horas depois, já estava de volta às terras tupiniquins. Serviço de bordo da Air France nota 10 !

DSC01012.jpg

E assim termina mais uma temporada do Desbravando Fronteiras ! Espero que tenham gostado de viajar comigo pelo blog e curtido todas as aventuras !!

Aguardem a temporada 2014, que ainda não tem um destino definido. Só sei que minha “lista de desejos”, em vez de diminuir com o tempo, está cada vez maior ! Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Havaí, Vietnã, Camboja, Laos, Mianmar, Tibete, Nepal, Cingapura, Coréia do Sul, Dubai, Bielorrússia, Escócia, Suíça, Irlanda, Islândia, Bulgária, Macedônia, Montenegro, Eslovênia, Albânia, África do Sul, Andaluzia, Ibiza, Sicília, Côte d’Azur...continuo ?? Tem mais !! Muito mais !!

Já estou convencido de que uma vida inteira não é suficiente para explorar todas as páginas do livro incrível que é esse mundão, mas farei o máximo que eu puder. Isso é um vício mais forte que cachaça. Acho que sou um viajólatra. Mal volto de uma viagem, já estou pensando na próxima :) Sou viciado em aventuras, em novidades, em descobertas, em explorar o desconhecido, em superar limites, em aprender coisas novas, em provar novos sabores... pra mim isso é a melhor definição de viver. É o completo oposto da rotina, da mesmice, da monotonia, da zona de conforto que não agrega nada e faz a vida passar depressa sem a gente perceber. Quem me dera poder tirar uns 6 meses de férias por ano !!! Um dia eu chego lá ! :)

Até 2014 ! Abraços !

Publicado por alexpt 5:24 Arquivado em Sérvia Comentários (6)

Dia 24 - Belgrado

sunny 35 °C

Dormi até meio-dia. Comprei meu café da manhã no supermercado. Pensei em fazer um bate-volta em Novi Sad, a segunda maior cidade do país, mas como acordei tarde, o próximo trem era só às 17h (chegando lá às 18:45). Não ia dar tempo pra conhecer nada lá. Resolvi então conhecer Novi Belgrado (a “Nova Belgrado”), que fica do outro lado do rio Sava.

A ponte Brankov, que liga o centro de Belgrado a Novi Belgrado:

B4B26C082219AC6817796B58ABA42AB1.jpg

Rio Sava:

B4B35AE92219AC6817C11720C516EB34.jpg

Novi Belgrado, uma parte mais nova da cidade, com prédios comerciais e residenciais modernos, edifícios do governo, hotéis e shoppings.

DSC00947.jpg
DSC00944.jpg
B4DE6FD72219AC6817FEDCCC50F70BE3.jpg

Uma cena bem brasileira: carroceiro carregando papelões pelas ruas:

DSC00941.jpg

Mais uma cena bem brasileira: uma mulher carregando uma criança de colo pedindo esmola para os motoristas parados no sinal. Era uma cigana. Os ciganos são a camada mais pobre da população do país. Em outro cruzamento, vi uns meninos jogando água e limpando os vidros dos carros em troca de moedas.

DSC00945.jpg

Uma pequena praia artificial ao lado do shopping. E a placa avisa: “proibido urinar”.

B4B5B6E72219AC68177E9B60B9D62B0C.jpg

Palata Srbije (Palácio da Sérvia), um edifício utilizado pelo governo sérvio:

DSC00951.jpg

Splav na margem do rio:

DSC00949.jpg

Essa splav é um hostel:

B4B83A6D2219AC681760E332A1F914ED.jpg

Diversas outras splavs que funcionam como bares e boates à noite:

DSC00953.jpg

Hotel Jugoslavija, onde há um cassino:

B4BA59D82219AC6817D80BF002FC41AF.jpg
DSC00955.jpg

Esse hotel foi atingido por 2 mísseis durante o bombardeio da OTAN em 1999, mas já foi restaurado. Segue uma foto da época que baixei da internet:

hotel_jugoslavija.jpg

Placa com a “Danube route”, uma ciclovia de 665km que vai acompanhando as margens do rio Danúbio. Dentro de Belgrado, as margens dos rios Danúbio e Sava também tem ciclovias.

B4BBEA012219AC681799F611B91C6B63.jpg

Atingi minha kilometragem máxima do dia. Queria guardar energias para a noite. Peguei um ônibus pra voltar ao centro da cidade. Tentei pagar a passagem direto para o motorista, mas “tomei toco” e tive que descer. Eu precisava comprar a passagem numa banca antes de embarcar. Achei estranho isso, porque no ônibus do aeroporto eu paguei direto pro motorista.

Comprei numa banca o BusPlus, um cartão pré-pago que pode ser usado nos ônibus e bondes da cidade. A jornaleira falava inglês. Pedi pra carregar com duas passagens (145 dinars = R$3,60). Ao embarcar no ônibus, bastou enconstar o cartão num aparelho validador, e o valor da passagem foi debitado. O sistema é parecido com o RioCard pré-pago do Rio.

DSC00957.jpg

As ruas do centro de Belgrado estavam bem cheias:

DSC00958.jpg

Olha a grife aí de novo fazendo sucesso: “shoes from Brazil”:

B4CDE0B42219AC68174EB7B8FEDFC663.jpg

Muitos restaurantes colocam “puxadinhos” na calçada durante o verão:

DSC00959.jpg

Jantei no Martinović, um restaurante self-service onde paga-se por porção. Paguei apenas 550 dinars (R$14).

B4BEE2F72219AC6817C08253840A855A.jpg
DSC00962.jpg
DSC00961.jpg

Ruas e praças da cidade cheias:

B4C149FB2219AC681783A27F242AF8DD.jpg
B4C20D712219AC681751EC6A318E10A9.jpg

Voltei pro albergue, tomei um banho e arrumei minha mochila. Era minha última noite em Belgrado, e última noite das férias !

Passei no supermercado, comprei uma cerveja e dei uma volta na ulitsa Skadarska, a “Rua das Pedras”, onde jantei ontem. Estava bem movimentada:

DSC00967.jpg
B4C490992219AC681714A609828BA406.jpg

Cerveja sérvia Lav que comprei numa loja de conveniência (110 dinars = R$2,75).

B4C610682219AC681748C39F1BC07D2A.jpg

Fui procurar onde era o Club Magacin (que era bem recomendado na internet), mas descobri que ele havia fechado. Fui então para o Republika, que fica ao lado do forte Kalemegdan.

B4C545682219AC6817A444D415BEE6E0.jpg

Na porta tinha um segurança e uma hostess fazendo face control. Como eu estava “na beca” (sapato social e camisa de botão), não fui barrado.

Não fiquei nem 10 minutos lá dentro. Além do cheiro insuportável de cigarro, o lugar era mais lounge que boate. A proporção mulher/homem estava desfavorável e o cardápio não tinha nem os preços. Furada ! Meti o pé.

Como já estava ali pertinho do rio, fui dar uma olhada nas splavs. Estavam beeem mais cheias que ontem. Fiz uma “baratona” pelas splavs. A primeira foi a Olympic, onde estava tocando uma banda de rock sérvia. Galera roqueira alernativa. Achei a banda muito boa por sinal, mesmo não entendendo nada das músicas. Não paguei nada para entrar nesta splav. Cerveja 500ml por 190 dinars (R$4,75).

B4C6B5C02219AC6817FC1592B2A22BFF.jpg
DSC00972.jpg
DSC00977.jpg

A segunda splav era bem grande, e nela estava tocando uma banda de reggae. Paguei 100 dinars de entrada (R$2,50) e 200 dinars pela cerveja de 500ml (R$5).

B4C8FF972219AC6817E9A0157A0261CB.jpg
DSC00979.jpg

A vista do forte de Kalemegdan nesta splav:

B4CAB8C32219AC6817D695EBC34DD29D.jpg

A terceira splav era menor e tinha um DJ tocando dance music. 200 dinars de entrada (R$5), mesmo preço da cerveja.

B4CB70622219AC68177ABD9638B6863B.jpg

Na quarta e última splav que conheci também tocava dance music. Entrada grátis e cerveja Nikšićko por 200 dinars (R$5)

DSC00993.jpg
DSC00994.jpg

Pequenas pontes de madeira ligam as splavs à margem do rio.

BF0ED7732219AC68173D20982755F963.jpg

As outras splavs próximas estavam meio vazias e achei que não valeria a pena entrar. Tinha mais outras mais afastadas (a uns 2 km de lá), mas não tinha taxi por perto. Sem chances de ir andando pra lá. Já eram quase 5h da manhã, e resolvi voltar pro albergue.

Vi muito mais mulher bonita durante o dia que de noite em Belgrado. Como só conheci 4 splavs, tenho certeza que tem outras melhores. Deu pra ver que o lugar tem potencial, mas continuo achando Kiev a cidade número 1 no quesito fauna feminina.

Chegando no albergue já amanhecendo:

DSC01002.jpg

Ar condicionado gelando no quarto. Ainda bem que conseguiram consertá-lo, porque fazer sauna por duas noites seguidas não rolava.

Publicado por alexpt 5:04 Arquivado em Sérvia Comentários (0)

Dia 23 - Belgrado

sunny 35 °C

Eu estava tão cansado, que dormi das 18h às 8h da manhã nonstop !! Bateria 100% carregada. No quarto do albergue conheci uma australiana e um turco.

A Sérvia estava nos meus planos já há um bom tempo. Em 2011, visitei as vizinhas Croácia e Bósnia, mas não fui pra Sérvia por causa da exigência de visto para brasileiros. A isenção de visto já foi aprovada pelo parlamento sérvio, e no início do ano foi aprovada pelo nosso Congresso, mas ainda precisa passar pelo Senado. Aí já viu, é coisa para daqui a 2 anos no mínimo. Cansei de esperar e resolvi tirar o visto. O processo é meio chato: tem que preencher um formulário e enviá-lo, junto com o passaporte, uma foto 3x4, cópias das passagens aéreas e reservas de hotel para a embaixada da Sérvia em Brasília. E tem que pagar uma taxa de R$235,00. Meu passaporte chegou de volta por Sedex com o visto 4 dias depois.

Quando passei pela recepção do albergue com a camisa do Flamengo, só faltou dar autógrafo. “Is this Flamengo, where Ronaldinho and Petkovic played ??? Are you brazilian ?!” E assim iniciamos um animado papo sobre futebol. Eles falaram que Pet é famoso na Sérvia, e que assistiram ao filme “O Gringo” (2011), uma co-produção sérvia-brasileira que conta a trajetória dele, desde o início da carreira até sua aposentadoria no Flamengo. [ Quem quiser assistir no YouTube, segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=IHg8Mfi4FJY]. Falei pra eles que Pet é conhecido como “o gringo mais querido do Brasil”, e que foi muito importante na conquista do Campenato Brasileiro pelo Flamengo em 2009. Depois eles me explicaram no mapa como eu fazia para chegar aos estádios do Estrela Vermelha e do Partizan. Como alguém já me disse uma vez: “Futebol é a nossa melhor diplomacia”.

Fui num mercado perto do albergue comprar meu café da manhã. Achei tudo muito barato. Preços tão baixos quando os da Ucrânia. A Sérvia é uma pechincha !!

Cerveja em garrafa PET de 2L por apenas 163 dinars (R$4) !!

7200C0142219AC6817A09EE598660108.jpg

Sentei num banco do Studentski Park para comer. Iogurte de cereja e burek (folheado) de queijo (94 dinars = R$2,30)

DSC00796.jpg
7202B2822219AC68171EC284B4EDED25.jpg
72039BF62219AC6817DE63891292E248.jpg

O sérvio é um idioma eslavo como o tcheco, o búlgaro, o polonês, e o russo. Tanto o alfabeto cirílico como o latino são utilizados. Muita gente fala inglês por aqui. Não tive problemas para me comunicar.

72318EA22219AC68175ED6B6C1666154.jpg
72062D652219AC68170A976B3FD1F056.jpg

A primeira palavra que aprendi de sérvio: “hvala” (obrigado). Pronuncia-se “ruála”.

722F63E62219AC6817C667B6FD82AAD4.jpg

Parque Kalemegdan:

DSC00802.jpg
720CB36A2219AC6817B3ECAD34E39C17.jpg

Souvenirs:

720909AA2219AC68178E78157A47DA0C.jpg

Vista para o rio Sava:

DSC00805.jpg

Ponto de encontro entre os rios Sava e Danúbio:

DSC00811.jpg

O forte Kalemegdan é a principal atração turística da cidade. Ele fica no ponto de encontro dos rios Sava e Danúbio. Esta é a parte mais antiga de Belgrado. O forte tem pelo menos 2000 anos de história, e existe deste a época do Império Romano, quando Belgrado cabia inteira dentro de suas muralhas. O local já era habitado antes, na Pré-História, por tribos celtas e outras civilizações mais antigas. Foi destruído e reconstruído várias vezes após as invasões dos povos bárbaros.

DSC00808.jpg
DSC00810.jpg
DSC00816.jpg
7213586F2219AC6817BE8BCE30862B2B.jpg
721432D52219AC681723B2AE153FA186.jpg
72157EB32219AC6817F0EE3A3A448083.jpg
DSC00822.jpg
DSC00836.jpg

Depois da queda dos romanos, Belgrado passou pelas mãos de bizantinos, francos, eslavos, húngaros, búlgaros, otomanos e austríacos. A independência dos sérvios foi conquistada apenas no século 19, e a Republica Socialista da Iugoslávia foi proclamada em 1945, unindo os territórios da Sérvia, Croácia, Bósnia, Montenegro, Macedônia e Kosovo. Durante o governo do ditador Slobodan Milošević (1987-2000), a Iugoslávia se desintegrou em meio a diversas guerras. Em 1991, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Macedônia declararam independência. Em 2003, o que sobrou da Iugoslávia passou a se chamar “Republica da Sérvia e Montenegro”. Em 2006, Montenegro declarou sua independência, e em 2008, foi a vez de Kosovo. O que sobrou disso tudo é a Sérvia de hoje. A próxima a se rebelar parece ser a Volvodina, uma província autônoma da Sérvia que atualmente manifesta o desejo de ser um país independente.

yugoslavia.jpg

Vojni Musej (Museu Militar), que conta um pouco da história da Sérvia, desde a Pré-História até o bombardeio da OTAN durante a guerra do Kosovo em 1999:

DSC00823.jpg

Um jipe Hummer do exército americano capturado na guerra do Kosovo:

DSC00835.jpg

Vestimenta, espadas e uma armadura medieval:

7219C1152219AC68175EECE34C417A70.jpg
721A7A1F2219AC68174363E0757F2B65.jpg

Uniforme de um soldado americano capturado na guerra do Kosovo:

DSC00830.jpg

Parte de uma bomba de fragmentação lançada pelas forças da OTAN sobre Belgrado:

721B24542219AC6817D0A989BF43F8E2.jpg

Como foi a ofensiva aérea das forças da OTAN lideradas pelos EUA e Grã-Bretanha em 1999:

721D13242219AC68177A302D0AC6BD6E.jpg

As ambições separatistas do Kosovo, que tem como maioria étnica albaneses (islâmicos), levaram ao ditador da então Iugoslávia, Slobodan Milošević, a ocupar militarmente esta região e entrentar seus opositores. O conflito se intensificou no final dos anos 90. Após Milošević ser acusado de genocídio, violação de direitos humanos e limpeza étnica de albaneses em 1999, as forças da OTAN bombardearam a Sérvia. Belgrado e Novi Sad, as duas maiores cidades sérvias, sofreram sérios danos. Milošević foi forçado a retirar as forças iugoslavas do Kosovo, que passou a ser administrado pela ONU até 2008, quando declarou independência. Milošević foi derrotado nas eleições de 2000 e preso no ano seguinte. Atualmente cerca de 100 países já reconhecem o Kosovo como país independente, mas a Sérvia (óbvio) e diversos países latino-americanos (entre eles, o Brasil), não.

Um comparativo entre o poderio militar da OTAN e o da antiga Iugoslávia: 6,7 milhões de soldados x 101 mil soldados. 7160 aviões x 155 aviões. 2000 helicópteros x 53 helicópteros.

721C70892219AC68175BAAF001B32A87.jpg

Me chamou a atenção que esse museu estava completamente vazio. Não havia nenhuma outra pessoa além de mim e da recepcionista. O turismo na Sérvia parece estar engatinhando ainda.

Olha só o que eu achei aqui: “Guarana – Energy Drink”. Tive que comprar pra esperimentar. É um energético como o Red Bull ou Flying Horse. Não tem nada a ver com o nosso guaraná. Custou 70 dinars (R$1,75) numa máquina automática.

721DDAFC2219AC6817FAE74B4924CE5D.jpg

Knez Mihailova, principal rua de pedestres, com muitas lojas, bares e restaurantes. É a “Florida” de Belgrado.

DSC00844.jpg

Há alguma pobreza na cidade, mas pequena se comparada com a do Brasil. Vi algumas velhinhas pedindo dinheiro e ciganos, que se destacam do restante da população por terem uma pele mais escura.

DSC00845.jpg

Uma rua no centro da cidade:

DSC00846.jpg
7230C03B2219AC6817D191B0AB57545B.jpg

A bandeira sérvia:

DSC00847.jpg

Bonde passando. Belgrado não tem metrô, e faz bastante falta.

DSC00840.jpg

Os islâmicos são uma minoria na Sérvia. A grande maioria é de cristãos ortodoxos. Uma mesquita:

DSC00843.jpg

Trg (praça) Republik. Nessa praça fica o Museu Nacional da Sérvia, que estava fechado para reformas.

DSC00851.jpg

Um caminhão-pipa dava água potável de graça nessa praça. Nada mal, com o calorão que estava fazendo:

DSC00849.jpg
72296DE02219AC681786D9895007E1C0.jpg

Stari Dvor (Palácio Antigo), onde fica a Assembléia Legislativa de Belgrado:

DSC00853.jpg

Assembléia Nacional da Sérvia:

DSC00854.jpg

A Sérvia, por causa da exigência de visto e pelo desconhecimento, é um país muito pouco visitado por brasileiros. A primeira coisa que lembramos sobre o país é a guerra. As pessoas imaginam que seja um lugar destruído e sem atrativos. O bombardeio das forças da OTAN já tem 14 anos, e a cidade já se recuperou completamente. Não houve ofensiva terrestre em Belgrado, por isso não há marcas de bala nas casas e prédios como acontece na Bósnia. Durante a Guerra da Bósnia (1992-1995) não houve confronto em território sérvio. Eu confesso que esperava ver mais destruição em Belgrado. Há 2 anos estive em Sarajevo e Mostar, na Bósnia, e vi que ambas ainda têm muitas cicatrizes da guerra. O único resquício da guerra que vi em Belgrado foi este edifício destruído, que pertencia ao Ministério da Defesa da antiga Iugoslávia, bombardeado pela OTAN em 1999.

72334B4B2219AC6817CAE80B7FA8CF91.jpg
723264202219AC68175B033CFC679819.jpg

O moderno edifício do Banco Central da Sérvia:

DSC00862.jpg

Catedral de São Sava, considerada a maior igreja ortodoxa do mundo. Começou a ser construída nos anos 30 e até hoje não foi concluída. Dentro dela está tudo em obra, não tem nada pronto ainda. Essa igreja fica numa parte mais alta da cidade e pode ser vista de diversos lugares.

DSC00865.jpg

O estádio do FK Crvena Zvezda (Estrela Vermelha), onde Petkovic jogou no início da carreira (1991-1995) e deu o grande salto, ganhando reconhecimento e fama. Logo na primeira temporada (1991-1992), Pet foi campeão iugoslavo e também campeão mundial. Este estádio é curiosamente chamado de “Marakana” (com “k” mesmo, porque o “c” em sérvio tem som de “ts”) em homenagem ao nosso gigante Mário Filho, onde anos depois, Pet brilharia novamente no auge de sua carreira pelo Flamengo. Coisas do destino.

DSC00871.jpg

Pet (segundo à esquerda, agachado) em 1991 no "Marakana" com o uniforme do Estrela Vermelha:

pet5.jpg

Momento máximo da carreira de Pet: a conquista do Brasileirão de 2009 no Flamengo:

pet4.jpg
pet3.jpg
pet2.jpg
pet1.jpg

Fui cumprimentado por diversos torcedores do Estrela Vermelha que reconheceram a minha camisa do Flamengo. Eles ficaram surpresos quando eu disse que era brasileiro. “Flamengo ! Petkovic ! What are you doing in Serbia ?”. Me senti uma espécie embaixador informal da Nação Rubro-Negra na Sérvia.

Não havia visita guiada ao interior do estádio, e não podia entrar nele, mas tirei esta foto por entre as grades:

DSC00872.jpg

Escudo do Estrela Vermelha:

DSC00868.jpg

Proibido entrar com símbolos nazistas, armas, fotos, comidas e bebidas alcoólicas:

7238745B2219AC68179A0B4193F185EE.jpg

Torcida organizada:

723C50242219AC6817A73AB9B5090FC5.jpg

Red Star Shop, a loja oficial do time, que fica no próprio estádio:

723B49DF2219AC6817AED8733AB2A595.jpg

Queria comprar uma camisa oficial deste time, mas só tinha tamanho pequeno. A vendedora falou que esgotou na cidade inteira e não tinha mais outros tamanhos. Uma pena. Comprei uma camisa “genérica” com escudo do time por 1590 dinars (R$40).

723A830C2219AC6817BE21FC18023ED0.jpg

A poucos metros dali fica o estádio do arqui-rival Partizan, atual pentacampeão sérvio. É como se São Januário ficasse a 500m do Maracanã, algo impensável para a gente. O estádio do Partizan parece ter um estrutura melhor que a do Marakana.

72431FBF2219AC681796874D4EF7B701.jpg

Escudo do Partizan:

72426C522219AC6817A5E7BABFF1AE50.jpg

Da mesma forma que o Marakana, também não dava para visitar o estádio do Partizan por dentro, mas tirei essa foto na grade:

DSC00885.jpg

Torcida organizada:

DSC00883.jpg

Também tinha uma loja oficial no estádio, onde comprei a camisa atual do Partizan por 4400 dinars (R$110). Bem maneira.

Próximo dali fica o Hajd Park:

7243E5D42219AC68178F908A575F4236.jpg
7244ADE42219AC6817102B6A2CB8CA75.jpg

Neste parque fica o Museu de História da Iugoslávia:

72456A802219AC681781E81624F8BB15.jpg
DSC00897.jpg

Este museu também parecia estar em obras, porque só tinha uma pequena mostra de inventos sérvios. E para piorar, não tinha ar condicionado. Não fiquei nem 10 minutos naquele forno.

O ingresso também dava direito a conhecer a“House of Flowers”, onde está a tumba do ex-ditador comunista Tito, que governou com mão de ferro a Iugoslávia de 1945 a 1980. A tumba fica numa espécie de memorial, com fotos e objetos pessoais do ex-ditador.

DSC00899.jpg

Roupas usadas por Tito:

7246BD032219AC68178CF845687421B1.jpg

O “Old Museum”, que também faz parte do complexo, tem uma mostra com roupas tradicionais:

72483B872219AC681783F830F91127F8.jpg

Este musem também estava completamente vazio.

Prédios residenciais em estilo soviético (feios e iguais uns aos outros) na rua em frente ao museu:

7249AC682219AC68174501C2E5290284.jpg

Fui andando até as margens do rio Sava, que tem uma ciclovia:

724CD0442219AC68179A4212B8963614.jpg

O rio tem várias construções feitas em cima de plataformas ancoradas, onde há bares, restaurantes e até residências. São conhecidas como “splavs”.

724BE9F92219AC6817C70FEB887DC9C1.jpg

Essa parte do rio tem uma pequena favela com alguns barracos de madeira flutuantes e muito lixo.

DSC00909.jpg

Ponte estaiada:

DSC00911.jpg

A Ada Ciganlja é uma ilha enorme no rio Sava. Tem um parque, um clube de golfe, bares, restaurantes e uma praia de pedras. A praia estava bem cheia. Cheguei no final da tarde e já tinha muita gente indo embora. O lugar é parecido com a Hidropark, uma ilha no rio Dnipro em Kiev que também tem praias.

DSC00921.jpg
DSC00913.jpg
DSC00917.jpg
DSC00918.jpg

Sentei pra descançar um pouco e comer. Comprei um cevapi. Já conhecia isso da Bósnia e da Croácia. É como um kebab, mas a carne vem em pequenos “kibes”, em vez de ser fatiada em pedaços. Custou 250 dinars (R$6,20).

7251B6B12219AC681713C0754701D6C2.jpg

Mais pessoas passavam gritando “Flamengo ! Petkovic !”. Outras olhavam para a minha camisa e faziam uma cara de “conheço esse time de algum lugar, mas não lembro o nome !”

Começou a escurecer e resolvi voltar pela ciclovia até o centro da cidade. Deu uns 5 Km.

Mais outras splavs:

DSC00922.jpg

Outro barraco de madeira perto do rio:

DSC00924.jpg

Acho que estão xingando a mãe de alguém nessa placa...:)

DSC00925.jpg

Sexta-feira a noite, 32 graus. As ruas centrais de Belgrado estavam lotadas. Bares, restaurantes...tudo bombando !

7255B8762219AC6817BF5F7D89ABB1C2.jpg

Passei no hostel, tomei um banho e fui procurar um restaurante pra jantar.

A ulitsa Skadarska, a poucas quadras do albergue, é uma rua de pedestres que lembra a Rua das Pedras de Búzios. É toda de paralelepípedos e tem um monte de bares e restaurantes legais. Com o calor que estava fazendo, tinha muitas mesas na calçada e estava tudo bem cheio.

DSC00932.jpg
DSC00933.jpg

Siga as direções dos lugares boêmios da Europa: Montmatre em Paris, Plaka em Atenas, Bascarsija em Sarajevo, Grinzing em Viena, Skadarska em Belgrado, Lua (seta apontando para cima....heheheh)

DSC00927.jpg

Comi no restaurante Tri Šešira (“Três Chapéus”, em sérvio), por indicação da recepcionista do hostel. Serve comida tradicional sérvia e parece ser um lugar famoso na cidade. O cardápio tinha tradução em inglês.

725A0E842219AC6817A08725F7938672.jpg

Neste restaurante (e em vários outros dessa rua) ficam uns grupos rodeando as mesas tocando brass, um tipo de música folclórica sérvia. Consegue imaginar algo semelhante ao fado sendo cantado em sérvio ? É mais ou menos isso. :)

725837B72219AC6817B2BDD400DB3E6F.jpg

Frango recheado com presunto, bacon, e acompanhado de fritas e salada. Um prato bem típico da Sérvia (500 dinars = R$12,50).

DSC00930.jpg

Cerveja sérvia Jelen 500ml (200 dinars = R$5).

DSC00928.jpg

Depois que saí do restaurante, já passava de meia-noite e bateu um cansaço sinistro. Parecia que eu tinha acabado de correr uma meia-maratona. Não é para menos... eu devo ter andando, sem exagero nenhum, uns 20km durante o dia. E debaixo de um sol de 35 graus. Só que não havia a menor possibilidade de perder a noite de sexta, já que na quinta eu fiquei dormindo. Tomei um energético “Guarana” , e parti pra gandaia !

Durante o verão a noite de Belgrado se concentra nas splavs, que são as embarcações que ficam ancoradas nas margens dos rios Sava e Danúbio. Atravessei a pé a ponte Brankov, que liga o centro de Belgrado ao distrito de Novi Belgrado. As splavs mais perto da ponte estavam meio fracas. Vi uma que estava mais cheia, mas estava rolando uma festa fechada .

725CA8B82219AC6817F699EAACA6A530.jpg

Havia mais outras splavs afastadas que podiam estar melhores, mas eu estava cansado demais, e não aguentava andar mais nada. Acho que nem 10 Red Bulls resolveriam o meu problema. Não era exatamente sono, e sim cansaço físico mesmo. Músculos das pernas, joelhos, pés...tudo doía. Exagerei durante o dia e não sobraram energias para a noite. Abortei a missão, prometendo pra mim mesmo que no sábado não iria dar uma de andarilho-peregrino-do-Caminho-de-Santiago-de-Compostela, e guardaria as energias para curtir a noite. Voltei me arrastando pro albergue. Mais 1 km de caminhada, que pareceram 10km !

Quando cheguei no albergue, avisaram na recepção que o ar condicionado do quarto tinha quebrado, e que só tinham como consertar no dia seguinte. Que fase !! Colocaram um ventilador, mas não adiantou nada. O quarto estava uma SAUNA e não tinha como trocar para outro, pois o albergue estava lotado. Mas eu estava tão cansado que o calor nem atrapalhou meu sono.

Publicado por alexpt 12:08 Arquivado em Sérvia Comentários (0)

Dia 22 - Jerusalém-Belgrado

sunny 36 °C

De Tel Aviv a Istambul foi 1:30h de voo. Cheguei em Istambul de manhã cedo (6h). Eu estava morto ! E ainda tomei um chá de aeroporto: foram 6 horas esperando a conexão pra Belgrado. Só cheguei lá às 13h , mas pra mim já eram 14h, por causa do fuso de menos uma hora lá. Eu já estava um zumbi. Mal podia esperar por uma cama quentinha e aconchegante. Horário horrível o desse voo, mas era a única opção por menos de 500 dólares (foi 207 dólares, pra ser mais exato) entre Tel Aviv e Belgrado.

Ao sobrevoar Belgrado, deu pra ver que a cidade é bem grande. Vi os dois estádios da cidade, dos arqui-rivais Estrela Vermelha (onde o Pet jogou) e Partizan (atual campeão sérvio). Ficam bem perto um do outro.

8B3A71DB2219AC6817B19E028C8CD717.jpg

Uma ilha no rio com praia e tudo. A cidade vista de cima lembra muito Kiev.

8B3B22AC2219AC681788DC16A46AA101.jpg

Finalmente cheguei na terra do Pet ! No desembarque, deu pra ver que o aeroporto de Belgrado é bem ruim. Acredite, consegue ser pior que o Galeão. Logo depois de sair do avião, passei por um lugar que parecia um “puchadinho” do aeroporto. Na imigração, o policial não perguntou nada, só viu o visto e carimbou o passaporte. O saguão de desembarque era ridiculo de pequeno. Parecia o aeroporto de Florianópolis. Estava completamente lotado, e foi até dificil passar com o carrinho pelo mar de gente. Fui abordado por um monte de taxistas. Tirei uns dinars (a moeda sérvia) num caixa eletrônico e fui procurar o ponto de ônibus do lado de fora.

8B3BCC2B2219AC681732A9A4B6E6303E.jpg

Tinha um ônibus chamado “JAT BUS” parado no ponto, mas pelo que olhei numa placa onde estava o itinerário, ele não deixava perto do hostel. Na reserva dizia para pegar o ônibus 72. Subi pro andar de embarque e perguntei no guichê de informações onde ficava o ponto desse ônibus. Era no andar de embarque mesmo. Tinha uma placa no ponto com os horários. Fiquei esperando uns 20 minutos até o ônibus chegar. Paguei a passagem direto pro motorista (172 dinars = R$4,30).

Uma nota de 500 dinars (R$12,50):

8B3C827C2219AC6817FF54FDBA240C58.jpg

Estava um forno em Belgrado (36 graus). Pelo menos o ônibus tinha ar condicionado. Demorou uns 40 minutos até chegar ao centro da cidade. Passei por bairros de casas e prédios baixos e velhos, todos parecidos uns com os outros. Achei tudo muito parecido com Kiev. No caminho vi uma pequena favela com barracos de madeira e tapumes. Nunca tinha visto isso na Europa.

Desembarquei no ponto final, na rua Zeleni Venac, perto da ponte Brankov.

DSC00763.jpg

Quando estava parado na rua olhando o mapa pra descobrir o caminho até o hostel, apareceu uma menina que perguntou, meio encabulada e num inglês macarrônico, se eu conhecia algum hostel. Era uma russa que havia acabado de chegar à cidade com sua amiga ucraniana, mas não sabiam onde ficariam ainda. Duas belezuras, uma loira e uma morena. ”Hoje é o meu dia de sorte !”, pensei, ehehehhee. Falei pra elas irem comigo até o hostel onde eu tinha reserva, que era mais ou menos perto. Troquei uma idéia com elas no caminho. Estavam de férias viajando pelos balcãs, e iam depois pra Croácia e Montenegro.

Demos uma olhada no mapa, mas a verdade é que eu estava meio perdido. Paramos uma sérvia na rua pra pedir informação, e ela foi bem gente boa. Disse que estava indo pra perto da rua do hostel, e foi acompanhando a gente. Ela foi contando no caminho sobre os lugares interessantes que poderíamos conhecer na cidade, e também sobre os tempos difíceis durante a guerra de 1999, quando a cidade foi bombardeada pela OTAN.

Chegamos ao Hedonist Hostel, que fica na ulitsa (rua) Simina, uma rua tranquila e arborizada.

8B40112F2219AC6817143FB68C4366ED.jpg
DSC00775.jpg
DSC00767.jpg

A recepcionista do hostel foi bem simpática e fez maior festa quando falei que era brasileiro. Me deu várias dicas de bares e restaurantes legais. A russa e a ucraniana queriam ficar num quarto só pra elas, mas acharam caro e resolveram ficar num quarto coletivo. Só que elas ficaram boladas quando descobriram que o hostel só tinha quarto misto (bem normal nos hostels, e as gringas em geral não tem frescura com isso). Enfim, elas reclamaram com a recepcionista e deram um jeito de ficar em outro quarto coletivo que estava vazio. Sumiram. Se trancaram no quarto e não vi mais as duas depois. Acho que ficaram com medo de mim, ehhehe. Podiam ter pelo menos me agradecido pela “carona” até o hostel !!

O quarto onde fiquei tinha 4 beliches e banheiro dentro. Ar condicionado gelando ! Era tudo que eu mais precisava. Paguei R$41 por dia pra ficar lá.

DSC00764.jpg
DSC00765.jpg

Tomei um merecido banho. Já passava de 17h e bateu uma fome sinistra. Mesmo morto de cansado, ainda tive forças para caçar alguma coisa pra comer.

Studentski park, ao lado do hostel:

8B41A6772219AC6817AF3C289BDB4659.jpg

Tróleibus:

8B427C8C2219AC6817C740F923D084A9.jpg

Knez Mihailova, a principal rua de pedestres da cidade.

8B434DD52219AC6817B0A61B938F37F2.jpg

Fonte de água potável, onde o pessoal também aproveitava pra se refrescar um pouco no calorão que estava fazendo.

8B440A272219AC681784DE9606223FC2.jpg

Achei uma lanchonete grega que vendia gyro pita. Comi um por 280 dinares (R$7).

DSC00774.jpg

Não tinha forças pra fazer mais nada. Tinha um anjinho me falando “vai dormir ! vc precisa !”, e um diabinho falando “dormir, dorme no Rio, em reais ! Aqui não, pô !!”. Dessa vez, mas só dessa vez, resolvi ignorar o diabinho e dar ouvidos ao anjinho. Voltei logo pro hostel e desabei na cama.

Publicado por alexpt 15:21 Arquivado em Sérvia Comentários (0)

Dia 21 - Jerusalém

sunny 28 °C

Acordei cedo, arrumei minha bagagem, e fiz o checkout, pois era meu último dia em Jerusalém.

Fui visitar o principal cartão-postal de Jerusalém: o Domo da Rocha. Ele fica localizado no Monte do Templo, que fica aberto à visitação em horários bastante restritos: 7:30 às 11:00 e 13:30 às 14:30. É o lugar mais visitado da cidade, e as filas costumam ser grandes. Como cheguei cedo (8:30), fiquei só 20 minutos na fila.

O acesso ao Monte do Templo é feito pela praça do Muro das Lamentações, através de uma passarela de madeira. O acesso é gratuito, mas é necessário passar por um detector de raio-x.

DSC00712.jpg

Na entrada há uma placa informando que é proibida a entrada de judeus:

placa_domo.jpg

Isto acontece por motivos religiosos: eles poderiam pisar sem querer no lugar onde existia até 2000 anos atrás o Segundo Templo. Naquela época, só as autoridades máximas do judaísmo podiam ter acesso ao local, o mais sagrado para o judaísmo. Outros judeus até podiam entrar lá, mas estes eram automaticamente condenados à morte. O Segundo Templo construído no século 6 AC no lugar onde antes existia o Templo de Salomão (ou Primeiro Templo), construído a mando do Rei Salomão no século 10 AC para guardar a Arca da Aliança (que tinha as tábuas dos Dez Mandamentos) e destruído na invasão dos babilônios.

O Monte do Templo não é exatamente um monte, mas uma grande esplanada que é cercada pelas muralhas que faziam parte do Segundo Templo. A parte oeste destas muralhas é o Muro das Lamentações (Western Wall, em inglês), que tem este nome porque os judeus lamentam a destruição do Segundo Templo. Como eles não podem entrar no Monte do Templo, ficam fazendo suas orações do lado de fora dele, de frente para o muro.

O Muro das Lamentações visto de cima da passarela:

8B1E60302219AC6817B036F960D2B4DB.jpg

Logo depois de ter passado pela passarela, fui barrado de entrar na esplanada do Monte do Templo por um guarda porque eu estava de bermuda. Nem tinha passado pela minha cabeça ficar andando de calça jeans em Jerusalém debaixo daquele calorão. Eu e mais alguns outros turistas tivemos que comprar do próprio guarda um véu para cobrir as pernas. Algumas mulheres também compraram o véu para cobrir os ombros. Fiquei parecendo um escocês... uma beleza, hehe ! :) Os muçulmanos que estavam na esplanada ficaram me olhando atravessado por causa disso... mas tenho medo de cara feia não !!

8B1F21502219AC68170E2052B23B1156.jpg

A esplanada tem um parque e duas construções sagradas para os muçulmanos: a mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha.

Mesquita de Al Aqsa:

8B1FD8E72219AC6817017AAB3F3A710F.jpg

O Domo da Rocha, que foi construído no século 7 após a conquista de Israel pelo Império Turco-Otomano no lugar onde existia até o século 1 o Segundo Templo. Não é uma mesquita, e sim uma espécie de santuário. A cúpula dele é toda revestida de ouro. O acesso ao seu interior só é permitido a muçulmanos. Dentro dele está uma rocha sagrada para judeus e muçulmanos. É o lugar mais sagrado para os judeus, que acreditam que ali Deus criou Adão a partir da poeira. Mesmo sem poder se aproximar do Domo, os judeus fazem suas orações na direção dele, assim como os muçulmanos fazem na direção de Meca. Para muçulmanos, a rocha é o lugar onde o Profeta Maomé ascendeu aos céus.

DSC00720.jpg

Como não pude entrar no Domo, baixei essa foto da internet mostrando o interior dele e a rocha sagrada:

domo1.jpg

Uma versão menor do Domo da Rocha ao lado do original:

DSC00722.jpg

No local estavam muitas excursões de crianças árabes:

8B20A58C2219AC6817ABBE67220C7789.jpg
DSC00719.jpg
DSC00724.jpg

Uma turista dando esmola a uma muçulmana:

DSC00723.jpg

Não havia nada escrito em hebraico nesse lugar. Só árabe e inglês.

DSC00721.jpg

Depois de sair de lá, me livrei do “kilt escocês” e fui para o Monte Zion, próximo ao portão de Zion da Cidade Antiga, onde estão alguns lugares sagrados para judeus e cristãos: a tumba do Rei Davi, a Basílica da Dormição (construída no local onde Virgem Maria morreu) e o Cenáculo (onde foi feita a Última Ceia, um ícone do cristianismo imortalizado num quadro de Leonardo da Vinci).

Logo na entrada do lugar, um “tut” (guia picareta) me abordou mostrando a direção onde ficava a Basílica e perguntando de onde eu era. Eu disse que não queria guia, mas ele ficou insistindo e andando atrás de mim. Isso é uma coisa que me tira do sério. Eu acho que tenho pára-raio de tuts. Deixei o cara falando sozinho e fui em outra direção. Quando achei que tinha me livrado dele, sentei numa sombra pra descansar. Ele brotou do meu lado do nada, e perguntou de novo de onde eu era. Não respondi nada. Então ele perguntou: “don’t you want to talk ? don’t you want to be friend ?” Falei “NO !” Acho que ele ficou ofendido que eu não estava dando idéia pra ele. Ficou falando que Jerusalém é uma cidade sagrada, que é a minha cidade também, bla bla bla... e diante da minha indiferença, ele se afastou.

Entrei no Cenáculo, e logo que saí, ele aparece de novo: “My friend ! My friend !”. Que pentelho ! Eu já estava perdendo a paciência. Não quis mais saber de tumba e de igreja nenhuma. Fui embora daquele lugar. Só tirei uma foto lá, a estátua do Rei Davi, que era um exímio tocador de harpa:

8B26959C2219AC6817CE8BBB61B4EAEF.jpg

Baixei outras fotos da internet. A Basílica da Dormição de Maria:

dormicao.jpg

Tumba do Rei Davi:

rei_davi1.jpg
rei_davi2.jpg

Cenáculo:

cenaculo.jpg

Peguei o bonde e fui ver o que tinha no ponto final dele (Heil Ha-Avir), no extremo norte da cidade.

8B29F5C22219AC6817E4EB74409375C6.jpg
8B2AA2FB2219AC68171EC9858E1F8E40.jpg

Era um bairro residencial sem grandes atrativos. A maioria dos prédios em Jerusalém são baixos, de 5 ou 6 andares, e todos tem fachada feita de pedra sabão, uma exigência arquitetônica para que as construções combinem com a Cidade Antiga.

DSC00733.jpg

Até o shopping é de pedra sabão:

8B2C6A892219AC68172E003BB6E5C3DE.jpg

Voltei para a King George Street, onde peguei o ônibus 7 para ir ao Museu de Israel, que fica num bairro afastado por onde o bonde não passa. O ônibus andou um tempão e nada de chegar no museu. Até que chegou no ponto final, o kibbutz Ramat Rachel. Algo estava errado. Eu e mais duas sul-africanas (que também estavam indo pro museu) perguntamos pro motorista onde ficava o museu, e ele disse que pegamos o ônibus na direção errada, e que teríamos que fazer o caminho todo de volta. Tivemos que esperar outro ônibus da mesma linha passar, e ele demorou quase meia hora. Nesse tempo fiquei trocando uma idéia com as sul-africanas. Elas contaram maravilhas da África do Sul e eu até fiquei com vontade de conhecer este país. Depois de fazer o caminho todo de volta, finalmente chegamos ao museu.

Este é o principal museu de história e arqueologia de Israel. Além de muito interessante, o lugar é muito bonito e bem cuidado.

DSC00746.jpg
DSC00736.jpg
DSC00737.jpg

Mosaicos romanos:

8B2E818C2219AC68174873E3FC3357D0.jpg
DSC00740.jpg

Azulejos árabes:

8B2F895D2219AC6817DA568D822E61E1.jpg

Uma maquete gigante que mostra como era Jerusalém 2000 anos atrás, antes da destruição do Segundo Templo:

DSC00747.jpg
DSC00750.jpg

Interessante também é a mostra do museu sobre a língua hebraica. Poucos sabem, mas ela foi uma língua morta por cerca de 2.300 anos. Foi utilizada para a escrita da Torá, a Bíblia judaica, e era a língua mais falada em Israel, mas passou ser substituída pelo aramaico a partir do século 6 AC (quando houve a invasão persa) até cair em desuso, aprofundado com a diáspora (exílio dos judeus em outras regiões fora de Israel). O aramaico foi, portanto, a língua falada por Jesus. O hebraico só renasceu há pouco mais de 100 anos com os esforços do linguista Ben Yeruda em estabelecer uma língua única para os judeus, que chegavam a Israel vindos de diversos países europeus.

A visita a este museu me ajudou muito a entender a tumultuada história de Israel, e o porquê de tanto conflito entre judeus e muçulmanos. Algo que eu sempre me perguntava: quem chegou primeiro à Israel, judeus ou muçulmanos ? Os judeus foram os primeiros habitantes de Israel, tendo chegado com Abrahão e sua tribo nômade da Mesopotâmia no século 18 AC. Desde então, ao longo dos séculos, eles foram expulsos e perseguidos diversas vezes por invasores, se exilando em regiões da Europa, Oriente Médio e África. O islamismo chegou a Israel apenas no século 7 com a invasão persa. Os muçulmanos passaram a ser maioria absoluta da população. Os judeus só voltaram a ser maioria novamente a partir de 1948 com o crescimento da imigração.

Segue um resumo da história de Israel:

- Século 18 AC: Abraão deu origem aos israelitas, o povo de Israel, ao levar sua tribo da Mesopotâmia para Canaã, como era conhecida a “terra prometida”.

- Século 10 AC: os israelitas viviam em tribos isoladas que precisavam ser unificadas para se fortalecerem contra as constantes invasões. O Rei Davi, líder de uma delas, conquistou Jerusalém e tornou-a a capital do Reino de Israel e centro religioso do seu povo, trazendo muita prosperidade para a região. Seu nome é citado muitas vezes no Antigo Testamento da Bíblia. Foi ele que ordenou que a Arca da Aliança (que continha as tábuas dos Dez Mandamentos) fosse transportada para Jerusalém, onde anos depois seu filho e sucessor (Salomão) mandou construir um templo (o Templo de Salomão, ou Primeiro Templo) para guarda-la.

- Século 6 AC: Israel foi invadida pelos babilônios, que destruíram Jerusalém e o Templo de Salomão. Os judeus, como eram chamados os habitantes de Judá (parte sul de Israel onde está Jerusalém) foram expulsos e se exilaram na Babilônia. Esta foi invadida anos depois pelos persas, que permitiram que os judeus retornassem a Jerusalém. Pouco depois, foi construído o Segundo Templo no lugar onde existia o Templo de Salomão.

- Século 4 AC: Alexandre, o Grande, conquista Jerusalém, iniciando o período de dominação grega,

- Século 1 AC ao século 4: período de dominação romana. No ano 70, Jerusalém e o Segundo Tempo foram destruídos pelos romanos durante uma revolta dos judeus, que foram expulsos. Do templo só sobraram as muralhas que o cercavam, e que existem até hoje. A parte oeste delas é o famoso Muro das Lamentações.

- Século 4 ao 7: período de dominação bizantina (cristã). Muitas igrejas de Jerusalém são desta época.

- Século 7 a 11: o islamismo chega a Israel com a invasão persa. As igrejas de Jerusalém são destruídas. O Domo da Rocha é construído no lugar onde existia o Segundo Templo.

- Século 12 : dominação das cruzadas, que partiram da Europa Ocidental para conquistar a chamada “Terra Santa” e mantê-la sob domínio cristão. Judeus e muçulmanos foram perseguidos.

- Século 13 a 1517: dominação dos mamelucos (islâmicos). Judeus e muçulmanos puderam voltar à Jerusalém.

- 1517 a 1917: dominação do império Turco-Otomano (islâmico). Os judeus eram perseguidos na Europa e passaram a imigrar para Israel. A partir de 1850, eles passam a ser maioria em Jerusalém, algo que não acontecia desde a expulsão dos judeus pelos romanos no século 1.

- 1917 a 1948: período de dominação britânica. A imigração de judeus para “Palestina Britânica” continua, e cresce com a perseguição dos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. O crescimento da população judaica causou ressentimentos entre os árabes, que viam seus interesses ameaçados, e organizaram diversas revoltas contra os judeus nesta época. Os britânicos não conseguiam encontrar uma solução fácil para os conflitos entre árabes e judeus, e entregaram o controle da região para a ONU. Esta aprovou em 1947 um plano de partilha do território da Palestina Britânica entre dois Estados, um judeu e outro árabe. O Estado árabe englobava os territórios atuais da Faixa de Gaza, Cisjordânia e parte do território atual de Israel. O Estado judeu era o restante, incluindo a faixa litorânea de Tel Aviv a Haifa e o deserto de Negev. Os judeus aceitaram o plano e declararam independência, mas os árabes não reconheceram a partilha.

- 1948: criação do Estado de Israel após a declaração de independência assinada por Ben Gurion. Isso enfureceu os árabes, que não reconheceram a criação de um Estado judeu, provocando a Guerra árabe-israelense. Ao final dela, em 1949, a Cisjordânia foi ocupada pela Jordânia e a Faixa de Gaza pelo Egito. Israel aumentou seu território em cerca de 1/3 em relação ao que foi estabelecido no plano de partilha da ONU. Jerusalém foi uma cidade dividida ao meio, como era Berlim. Jerusalém Oriental e a Cidade Antiga pertenciam à Jordânia, e a parte ocidental (Cidade Nova) à Israel. O setor judaico da Cidade Antiga foi destruído pelos árabes, principalmente as sinagogas. Os judeus ficaram 19 anos sem poder ter acesso ao Muro das Lamentações, o lugar mais sagrado para eles.

- 1967: Após a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupa novamente a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, além da Península do Sinai (do Egito) e Colinas de Golã (da Síria). Jerusalém, volta a ser unificada sob domínio israelense. O controle do Sinai foi só foi devolvido ao Egito em 1979.

- Anos 90: assinados acordos de paz entre israelenses e palestinos. A Cisjordânia foi dividida em 3 zonas: A, B e C, sendo que apenas a zona A é controlada pela Autoridade Nacional Palestina.

- 2000-2005: o crescimento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e Faixa de Gaza levou à Segunda Intifada, um período muito violento de revolta palestina, com diversos atentados suicidas praticados por extremistas do Hamas. A resposta de Israel foi a construção de um muro de 760km ao redor da Cisjordânia e outro em volta da Faixa de Gaza. Palestinos são proibidos de entrar em território israelense, não podendo mais, portanto, visitar os lugares sagrados para o islamismo em Jerusalém. Israel remove todos os assentamentos de judeus na Faixa de Gaza.

- 2006 até hoje: o número de atentados foi drasticamente reduzido. O governo israelense atribui isso ao muro, que estaria dificultando a entrada de terroristas em Israel. O país vive uma espécie de renascimento, e o turismo volta a crescer com força. O foco de tensão entre israelenses e árabes se concentra na Faixa de Gaza, dominada pelos fundamentalistas islâmicos do Hamas, que também entra constante atrito com o Fatah, grupo moderado que rejeita a violência e atualmente governa os territórios palestinos na Cisjordânia.

O Santuário do Livro, anexo ao museu, foi construído para guardar o tesouro mais importante da mostra: os Manuscritos do Mar Morto, encontrados numa caverna próxima ao Mar Morto na década de 40. Eles contém partes da Bíblia hebraica escritos no século 2 AC. É a versão mais antiga já encontrada da Bíblia até hoje. Não podia tirar foto no local, mas baixei estas fotos da internet:

scroll2.jpg
scroll1.jpg

Peguei o ônibus, voltei pra Yaffa Road, comi um shawarma e voltei pro hostel.

Hora de dizer adeus a Israel. Peguei minha mochila e fiquei esperando na recepção a sherut (van) para o aeroporto. Até dava para ir de trem, mas como a estação ferroviária de Jerusalém é afastada, fiquei com preguiça de pegar um ônibus até lá. Paguei 60 shekels (R$37) na van. Já era 1h da manhã quando ela chegou. Estava vazia, passou em vários hotéis de Jerusalém até encher. Fiquei preocupado com o horário do voo, porque não sabia se ia demorar pra chegar ao aeroporto, que fica no meio do caminho entre Jerusalém e Tel Aviv, mas chegou bem rápido. Pouco antes de chegar, passamos por um checkpoint. Entrou um guarda na van, que olhou para todos os passageiros e pediu para verificar só o meu passaporte e de mais outro passageiro. Éramos os únicos estrangeiros na van. Esses guardas são treinados pra identificar fisionomias. Não me perguntou nada e liberou a van.

No saguão de embarque do aeroporto havia uma fila única pra passar a bagagem num detector de raio-x gigante. Para poder despachar a bagagem no checkin, tinha que passa-la primeiro nesse raio-x. Nessa fila, guardas pediam para ver o passaporte e faziam um monte de perguntas aos passageiros. Me perguntaram pra onde eu estava indo, onde eu estive em Israel, se tinha família judaica, se alguém tinha mexido na minha bagagem, etc. Depois de passar no raio-x, o guarda me levou até um quiosque, onde minha mochila foi toda revistada. Tiraram TUDO e revistaram até minhas meias sujas. Depois tive que arrumar a mochila toda de novo. Que fase ! Despachei a bagagem, e na hora de entrar no salão de embarque, mais outro raio-x pra bagagem de mão. Agora foi a vez da minha mochila pequena passar pelo pente fino. Revistaram tudo, inclusive o notebook e o pacote de biscoitos (!!). Chato demais passar por tudo isso, mas os israelenses precisam desse controle rigoroso. Eles sabem que estão cercados de países árabes que não são lá muito fãs de judeus.

Só faltava passar por sabatina de novo no controle de passaporte, mas felizmente a guarda só carimbou o cartão de imigração e não falou nada. Quem tiver um passaporte carimbado por Israel não pode entrar nos países árabes. Desta forma, Israel só carimba um cartão de imigração na entrada, que precisa ser apresentado junto com o passaporte na saída.

Finalmente embarquei às 4:30 da manhã rumo a Belgrado. E minha aventura na Terra Santa chegava ao fim. Israel é um lugar fantástico ! Só quem já foi pra lá entende do que estou falando. Minha visita foi muito mais interessante do que eu imaginava. Este foi o 2o país que mais gostei, entre os 44 por onde já passei, perdendo apenas pro Japão !!!

Publicado por alexpt 4:52 Arquivado em Israel Comentários (1)

(Textos 1 - 5 de 15) Página [1] 2 3 » Próximo