Um blog do Travellerspoint

Dia 22 - Jerusalém-Belgrado

sunny 36 °C

De Tel Aviv a Istambul foi 1:30h de voo. Cheguei em Istambul de manhã cedo (6h). Eu estava morto ! E ainda tomei um chá de aeroporto: foram 6 horas esperando a conexão pra Belgrado. Só cheguei lá às 13h , mas pra mim já eram 14h, por causa do fuso de menos uma hora lá. Eu já estava um zumbi. Mal podia esperar por uma cama quentinha e aconchegante. Horário horrível o desse voo, mas era a única opção por menos de 500 dólares (foi 207 dólares, pra ser mais exato) entre Tel Aviv e Belgrado.

Ao sobrevoar Belgrado, deu pra ver que a cidade é bem grande. Vi os dois estádios da cidade, dos arqui-rivais Estrela Vermelha (onde o Pet jogou) e Partizan (atual campeão sérvio). Ficam bem perto um do outro.

8B3A71DB2219AC6817B19E028C8CD717.jpg

Uma ilha no rio com praia e tudo. A cidade vista de cima lembra muito Kiev.

8B3B22AC2219AC681788DC16A46AA101.jpg

Finalmente cheguei na terra do Pet ! No desembarque, deu pra ver que o aeroporto de Belgrado é bem ruim. Acredite, consegue ser pior que o Galeão. Logo depois de sair do avião, passei por um lugar que parecia um “puchadinho” do aeroporto. Na imigração, o policial não perguntou nada, só viu o visto e carimbou o passaporte. O saguão de desembarque era ridiculo de pequeno. Parecia o aeroporto de Florianópolis. Estava completamente lotado, e foi até dificil passar com o carrinho pelo mar de gente. Fui abordado por um monte de taxistas. Tirei uns dinars (a moeda sérvia) num caixa eletrônico e fui procurar o ponto de ônibus do lado de fora.

8B3BCC2B2219AC681732A9A4B6E6303E.jpg

Tinha um ônibus chamado “JAT BUS” parado no ponto, mas pelo que olhei numa placa onde estava o itinerário, ele não deixava perto do hostel. Na reserva dizia para pegar o ônibus 72. Subi pro andar de embarque e perguntei no guichê de informações onde ficava o ponto desse ônibus. Era no andar de embarque mesmo. Tinha uma placa no ponto com os horários. Fiquei esperando uns 20 minutos até o ônibus chegar. Paguei a passagem direto pro motorista (172 dinars = R$4,30).

Uma nota de 500 dinars (R$12,50):

8B3C827C2219AC6817FF54FDBA240C58.jpg

Estava um forno em Belgrado (36 graus). Pelo menos o ônibus tinha ar condicionado. Demorou uns 40 minutos até chegar ao centro da cidade. Passei por bairros de casas e prédios baixos e velhos, todos parecidos uns com os outros. Achei tudo muito parecido com Kiev. No caminho vi uma pequena favela com barracos de madeira e tapumes. Nunca tinha visto isso na Europa.

Desembarquei no ponto final, na rua Zeleni Venac, perto da ponte Brankov.

DSC00763.jpg

Quando estava parado na rua olhando o mapa pra descobrir o caminho até o hostel, apareceu uma menina que perguntou, meio encabulada e num inglês macarrônico, se eu conhecia algum hostel. Era uma russa que havia acabado de chegar à cidade com sua amiga ucraniana, mas não sabiam onde ficariam ainda. Duas belezuras, uma loira e uma morena. ”Hoje é o meu dia de sorte !”, pensei, ehehehhee. Falei pra elas irem comigo até o hostel onde eu tinha reserva, que era mais ou menos perto. Troquei uma idéia com elas no caminho. Estavam de férias viajando pelos balcãs, e iam depois pra Croácia e Montenegro.

Demos uma olhada no mapa, mas a verdade é que eu estava meio perdido. Paramos uma sérvia na rua pra pedir informação, e ela foi bem gente boa. Disse que estava indo pra perto da rua do hostel, e foi acompanhando a gente. Ela foi contando no caminho sobre os lugares interessantes que poderíamos conhecer na cidade, e também sobre os tempos difíceis durante a guerra de 1999, quando a cidade foi bombardeada pela OTAN.

Chegamos ao Hedonist Hostel, que fica na ulitsa (rua) Simina, uma rua tranquila e arborizada.

8B40112F2219AC6817143FB68C4366ED.jpg
DSC00775.jpg
DSC00767.jpg

A recepcionista do hostel foi bem simpática e fez maior festa quando falei que era brasileiro. Me deu várias dicas de bares e restaurantes legais. A russa e a ucraniana queriam ficar num quarto só pra elas, mas acharam caro e resolveram ficar num quarto coletivo. Só que elas ficaram boladas quando descobriram que o hostel só tinha quarto misto (bem normal nos hostels, e as gringas em geral não tem frescura com isso). Enfim, elas reclamaram com a recepcionista e deram um jeito de ficar em outro quarto coletivo que estava vazio. Sumiram. Se trancaram no quarto e não vi mais as duas depois. Acho que ficaram com medo de mim, ehhehe. Podiam ter pelo menos me agradecido pela “carona” até o hostel !!

O quarto onde fiquei tinha 4 beliches e banheiro dentro. Ar condicionado gelando ! Era tudo que eu mais precisava. Paguei R$41 por dia pra ficar lá.

DSC00764.jpg
DSC00765.jpg

Tomei um merecido banho. Já passava de 17h e bateu uma fome sinistra. Mesmo morto de cansado, ainda tive forças para caçar alguma coisa pra comer.

Studentski park, ao lado do hostel:

8B41A6772219AC6817AF3C289BDB4659.jpg

Tróleibus:

8B427C8C2219AC6817C740F923D084A9.jpg

Knez Mihailova, a principal rua de pedestres da cidade.

8B434DD52219AC6817B0A61B938F37F2.jpg

Fonte de água potável, onde o pessoal também aproveitava pra se refrescar um pouco no calorão que estava fazendo.

8B440A272219AC681784DE9606223FC2.jpg

Achei uma lanchonete grega que vendia gyro pita. Comi um por 280 dinares (R$7).

DSC00774.jpg

Não tinha forças pra fazer mais nada. Tinha um anjinho me falando “vai dormir ! vc precisa !”, e um diabinho falando “dormir, dorme no Rio, em reais ! Aqui não, pô !!”. Dessa vez, mas só dessa vez, resolvi ignorar o diabinho e dar ouvidos ao anjinho. Voltei logo pro hostel e desabei na cama.

Publicado por alexpt 15:21 Arquivado em Sérvia Comentários (0)

Dia 21 - Jerusalém

sunny 28 °C

Acordei cedo, arrumei minha bagagem, e fiz o checkout, pois era meu último dia em Jerusalém.

Fui visitar o principal cartão-postal de Jerusalém: o Domo da Rocha. Ele fica localizado no Monte do Templo, que fica aberto à visitação em horários bastante restritos: 7:30 às 11:00 e 13:30 às 14:30. É o lugar mais visitado da cidade, e as filas costumam ser grandes. Como cheguei cedo (8:30), fiquei só 20 minutos na fila.

O acesso ao Monte do Templo é feito pela praça do Muro das Lamentações, através de uma passarela de madeira. O acesso é gratuito, mas é necessário passar por um detector de raio-x.

DSC00712.jpg

Na entrada há uma placa informando que é proibida a entrada de judeus:

placa_domo.jpg

Isto acontece por motivos religiosos: eles poderiam pisar sem querer no lugar onde existia até 2000 anos atrás o Segundo Templo. Naquela época, só as autoridades máximas do judaísmo podiam ter acesso ao local, o mais sagrado para o judaísmo. Outros judeus até podiam entrar lá, mas estes eram automaticamente condenados à morte. O Segundo Templo construído no século 6 AC no lugar onde antes existia o Templo de Salomão (ou Primeiro Templo), construído a mando do Rei Salomão no século 10 AC para guardar a Arca da Aliança (que tinha as tábuas dos Dez Mandamentos) e destruído na invasão dos babilônios.

O Monte do Templo não é exatamente um monte, mas uma grande esplanada que é cercada pelas muralhas que faziam parte do Segundo Templo. A parte oeste destas muralhas é o Muro das Lamentações (Western Wall, em inglês), que tem este nome porque os judeus lamentam a destruição do Segundo Templo. Como eles não podem entrar no Monte do Templo, ficam fazendo suas orações do lado de fora dele, de frente para o muro.

O Muro das Lamentações visto de cima da passarela:

8B1E60302219AC6817B036F960D2B4DB.jpg

Logo depois de ter passado pela passarela, fui barrado de entrar na esplanada do Monte do Templo por um guarda porque eu estava de bermuda. Nem tinha passado pela minha cabeça ficar andando de calça jeans em Jerusalém debaixo daquele calorão. Eu e mais alguns outros turistas tivemos que comprar do próprio guarda um véu para cobrir as pernas. Algumas mulheres também compraram o véu para cobrir os ombros. Fiquei parecendo um escocês... uma beleza, hehe ! :) Os muçulmanos que estavam na esplanada ficaram me olhando atravessado por causa disso... mas tenho medo de cara feia não !!

8B1F21502219AC68170E2052B23B1156.jpg

A esplanada tem um parque e duas construções sagradas para os muçulmanos: a mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha.

Mesquita de Al Aqsa:

8B1FD8E72219AC6817017AAB3F3A710F.jpg

O Domo da Rocha, que foi construído no século 7 após a conquista de Israel pelo Império Turco-Otomano no lugar onde existia até o século 1 o Segundo Templo. Não é uma mesquita, e sim uma espécie de santuário. A cúpula dele é toda revestida de ouro. O acesso ao seu interior só é permitido a muçulmanos. Dentro dele está uma rocha sagrada para judeus e muçulmanos. É o lugar mais sagrado para os judeus, que acreditam que ali Deus criou Adão a partir da poeira. Mesmo sem poder se aproximar do Domo, os judeus fazem suas orações na direção dele, assim como os muçulmanos fazem na direção de Meca. Para muçulmanos, a rocha é o lugar onde o Profeta Maomé ascendeu aos céus.

DSC00720.jpg

Como não pude entrar no Domo, baixei essa foto da internet mostrando o interior dele e a rocha sagrada:

domo1.jpg

Uma versão menor do Domo da Rocha ao lado do original:

DSC00722.jpg

No local estavam muitas excursões de crianças árabes:

8B20A58C2219AC6817ABBE67220C7789.jpg
DSC00719.jpg
DSC00724.jpg

Uma turista dando esmola a uma muçulmana:

DSC00723.jpg

Não havia nada escrito em hebraico nesse lugar. Só árabe e inglês.

DSC00721.jpg

Depois de sair de lá, me livrei do “kilt escocês” e fui para o Monte Zion, próximo ao portão de Zion da Cidade Antiga, onde estão alguns lugares sagrados para judeus e cristãos: a tumba do Rei Davi, a Basílica da Dormição (construída no local onde Virgem Maria morreu) e o Cenáculo (onde foi feita a Última Ceia, um ícone do cristianismo imortalizado num quadro de Leonardo da Vinci).

Logo na entrada do lugar, um “tut” (guia picareta) me abordou mostrando a direção onde ficava a Basílica e perguntando de onde eu era. Eu disse que não queria guia, mas ele ficou insistindo e andando atrás de mim. Isso é uma coisa que me tira do sério. Eu acho que tenho pára-raio de tuts. Deixei o cara falando sozinho e fui em outra direção. Quando achei que tinha me livrado dele, sentei numa sombra pra descansar. Ele brotou do meu lado do nada, e perguntou de novo de onde eu era. Não respondi nada. Então ele perguntou: “don’t you want to talk ? don’t you want to be friend ?” Falei “NO !” Acho que ele ficou ofendido que eu não estava dando idéia pra ele. Ficou falando que Jerusalém é uma cidade sagrada, que é a minha cidade também, bla bla bla... e diante da minha indiferença, ele se afastou.

Entrei no Cenáculo, e logo que saí, ele aparece de novo: “My friend ! My friend !”. Que pentelho ! Eu já estava perdendo a paciência. Não quis mais saber de tumba e de igreja nenhuma. Fui embora daquele lugar. Só tirei uma foto lá, a estátua do Rei Davi, que era um exímio tocador de harpa:

8B26959C2219AC6817CE8BBB61B4EAEF.jpg

Baixei outras fotos da internet. A Basílica da Dormição de Maria:

dormicao.jpg

Tumba do Rei Davi:

rei_davi1.jpg
rei_davi2.jpg

Cenáculo:

cenaculo.jpg

Peguei o bonde e fui ver o que tinha no ponto final dele (Heil Ha-Avir), no extremo norte da cidade.

8B29F5C22219AC6817E4EB74409375C6.jpg
8B2AA2FB2219AC68171EC9858E1F8E40.jpg

Era um bairro residencial sem grandes atrativos. A maioria dos prédios em Jerusalém são baixos, de 5 ou 6 andares, e todos tem fachada feita de pedra sabão, uma exigência arquitetônica para que as construções combinem com a Cidade Antiga.

DSC00733.jpg

Até o shopping é de pedra sabão:

8B2C6A892219AC68172E003BB6E5C3DE.jpg

Voltei para a King George Street, onde peguei o ônibus 7 para ir ao Museu de Israel, que fica num bairro afastado por onde o bonde não passa. O ônibus andou um tempão e nada de chegar no museu. Até que chegou no ponto final, o kibbutz Ramat Rachel. Algo estava errado. Eu e mais duas sul-africanas (que também estavam indo pro museu) perguntamos pro motorista onde ficava o museu, e ele disse que pegamos o ônibus na direção errada, e que teríamos que fazer o caminho todo de volta. Tivemos que esperar outro ônibus da mesma linha passar, e ele demorou quase meia hora. Nesse tempo fiquei trocando uma idéia com as sul-africanas. Elas contaram maravilhas da África do Sul e eu até fiquei com vontade de conhecer este país. Depois de fazer o caminho todo de volta, finalmente chegamos ao museu.

Este é o principal museu de história e arqueologia de Israel. Além de muito interessante, o lugar é muito bonito e bem cuidado.

DSC00746.jpg
DSC00736.jpg
DSC00737.jpg

Mosaicos romanos:

8B2E818C2219AC68174873E3FC3357D0.jpg
DSC00740.jpg

Azulejos árabes:

8B2F895D2219AC6817DA568D822E61E1.jpg

Uma maquete gigante que mostra como era Jerusalém 2000 anos atrás, antes da destruição do Segundo Templo:

DSC00747.jpg
DSC00750.jpg

Interessante também é a mostra do museu sobre a língua hebraica. Poucos sabem, mas ela foi uma língua morta por cerca de 2.300 anos. Foi utilizada para a escrita da Torá, a Bíblia judaica, e era a língua mais falada em Israel, mas passou ser substituída pelo aramaico a partir do século 6 AC (quando houve a invasão persa) até cair em desuso, aprofundado com a diáspora (exílio dos judeus em outras regiões fora de Israel). O aramaico foi, portanto, a língua falada por Jesus. O hebraico só renasceu há pouco mais de 100 anos com os esforços do linguista Ben Yeruda em estabelecer uma língua única para os judeus, que chegavam a Israel vindos de diversos países europeus.

A visita a este museu me ajudou muito a entender a tumultuada história de Israel, e o porquê de tanto conflito entre judeus e muçulmanos. Algo que eu sempre me perguntava: quem chegou primeiro à Israel, judeus ou muçulmanos ? Os judeus foram os primeiros habitantes de Israel, tendo chegado com Abrahão e sua tribo nômade da Mesopotâmia no século 18 AC. Desde então, ao longo dos séculos, eles foram expulsos e perseguidos diversas vezes por invasores, se exilando em regiões da Europa, Oriente Médio e África. O islamismo chegou a Israel apenas no século 7 com a invasão persa. Os muçulmanos passaram a ser maioria absoluta da população. Os judeus só voltaram a ser maioria novamente a partir de 1948 com o crescimento da imigração.

Segue um resumo da história de Israel:

- Século 18 AC: Abraão deu origem aos israelitas, o povo de Israel, ao levar sua tribo da Mesopotâmia para Canaã, como era conhecida a “terra prometida”.

- Século 10 AC: os israelitas viviam em tribos isoladas que precisavam ser unificadas para se fortalecerem contra as constantes invasões. O Rei Davi, líder de uma delas, conquistou Jerusalém e tornou-a a capital do Reino de Israel e centro religioso do seu povo, trazendo muita prosperidade para a região. Seu nome é citado muitas vezes no Antigo Testamento da Bíblia. Foi ele que ordenou que a Arca da Aliança (que continha as tábuas dos Dez Mandamentos) fosse transportada para Jerusalém, onde anos depois seu filho e sucessor (Salomão) mandou construir um templo (o Templo de Salomão, ou Primeiro Templo) para guarda-la.

- Século 6 AC: Israel foi invadida pelos babilônios, que destruíram Jerusalém e o Templo de Salomão. Os judeus, como eram chamados os habitantes de Judá (parte sul de Israel onde está Jerusalém) foram expulsos e se exilaram na Babilônia. Esta foi invadida anos depois pelos persas, que permitiram que os judeus retornassem a Jerusalém. Pouco depois, foi construído o Segundo Templo no lugar onde existia o Templo de Salomão.

- Século 4 AC: Alexandre, o Grande, conquista Jerusalém, iniciando o período de dominação grega,

- Século 1 AC ao século 4: período de dominação romana. No ano 70, Jerusalém e o Segundo Tempo foram destruídos pelos romanos durante uma revolta dos judeus, que foram expulsos. Do templo só sobraram as muralhas que o cercavam, e que existem até hoje. A parte oeste delas é o famoso Muro das Lamentações.

- Século 4 ao 7: período de dominação bizantina (cristã). Muitas igrejas de Jerusalém são desta época.

- Século 7 a 11: o islamismo chega a Israel com a invasão persa. As igrejas de Jerusalém são destruídas. O Domo da Rocha é construído no lugar onde existia o Segundo Templo.

- Século 12 : dominação das cruzadas, que partiram da Europa Ocidental para conquistar a chamada “Terra Santa” e mantê-la sob domínio cristão. Judeus e muçulmanos foram perseguidos.

- Século 13 a 1517: dominação dos mamelucos (islâmicos). Judeus e muçulmanos puderam voltar à Jerusalém.

- 1517 a 1917: dominação do império Turco-Otomano (islâmico). Os judeus eram perseguidos na Europa e passaram a imigrar para Israel. A partir de 1850, eles passam a ser maioria em Jerusalém, algo que não acontecia desde a expulsão dos judeus pelos romanos no século 1.

- 1917 a 1948: período de dominação britânica. A imigração de judeus para “Palestina Britânica” continua, e cresce com a perseguição dos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. O crescimento da população judaica causou ressentimentos entre os árabes, que viam seus interesses ameaçados, e organizaram diversas revoltas contra os judeus nesta época. Os britânicos não conseguiam encontrar uma solução fácil para os conflitos entre árabes e judeus, e entregaram o controle da região para a ONU. Esta aprovou em 1947 um plano de partilha do território da Palestina Britânica entre dois Estados, um judeu e outro árabe. O Estado árabe englobava os territórios atuais da Faixa de Gaza, Cisjordânia e parte do território atual de Israel. O Estado judeu era o restante, incluindo a faixa litorânea de Tel Aviv a Haifa e o deserto de Negev. Os judeus aceitaram o plano e declararam independência, mas os árabes não reconheceram a partilha.

- 1948: criação do Estado de Israel após a declaração de independência assinada por Ben Gurion. Isso enfureceu os árabes, que não reconheceram a criação de um Estado judeu, provocando a Guerra árabe-israelense. Ao final dela, em 1949, a Cisjordânia foi ocupada pela Jordânia e a Faixa de Gaza pelo Egito. Israel aumentou seu território em cerca de 1/3 em relação ao que foi estabelecido no plano de partilha da ONU. Jerusalém foi uma cidade dividida ao meio, como era Berlim. Jerusalém Oriental e a Cidade Antiga pertenciam à Jordânia, e a parte ocidental (Cidade Nova) à Israel. O setor judaico da Cidade Antiga foi destruído pelos árabes, principalmente as sinagogas. Os judeus ficaram 19 anos sem poder ter acesso ao Muro das Lamentações, o lugar mais sagrado para eles.

- 1967: Após a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupa novamente a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, além da Península do Sinai (do Egito) e Colinas de Golã (da Síria). Jerusalém, volta a ser unificada sob domínio israelense. O controle do Sinai foi só foi devolvido ao Egito em 1979.

- Anos 90: assinados acordos de paz entre israelenses e palestinos. A Cisjordânia foi dividida em 3 zonas: A, B e C, sendo que apenas a zona A é controlada pela Autoridade Nacional Palestina.

- 2000-2005: o crescimento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e Faixa de Gaza levou à Segunda Intifada, um período muito violento de revolta palestina, com diversos atentados suicidas praticados por extremistas do Hamas. A resposta de Israel foi a construção de um muro de 760km ao redor da Cisjordânia e outro em volta da Faixa de Gaza. Palestinos são proibidos de entrar em território israelense, não podendo mais, portanto, visitar os lugares sagrados para o islamismo em Jerusalém. Israel remove todos os assentamentos de judeus na Faixa de Gaza.

- 2006 até hoje: o número de atentados foi drasticamente reduzido. O governo israelense atribui isso ao muro, que estaria dificultando a entrada de terroristas em Israel. O país vive uma espécie de renascimento, e o turismo volta a crescer com força. O foco de tensão entre israelenses e árabes se concentra na Faixa de Gaza, dominada pelos fundamentalistas islâmicos do Hamas, que também entra constante atrito com o Fatah, grupo moderado que rejeita a violência e atualmente governa os territórios palestinos na Cisjordânia.

O Santuário do Livro, anexo ao museu, foi construído para guardar o tesouro mais importante da mostra: os Manuscritos do Mar Morto, encontrados numa caverna próxima ao Mar Morto na década de 40. Eles contém partes da Bíblia hebraica escritos no século 2 AC. É a versão mais antiga já encontrada da Bíblia até hoje. Não podia tirar foto no local, mas baixei estas fotos da internet:

scroll2.jpg
scroll1.jpg

Peguei o ônibus, voltei pra Yaffa Road, comi um shawarma e voltei pro hostel.

Hora de dizer adeus a Israel. Peguei minha mochila e fiquei esperando na recepção a sherut (van) para o aeroporto. Até dava para ir de trem, mas como a estação ferroviária de Jerusalém é afastada, fiquei com preguiça de pegar um ônibus até lá. Paguei 60 shekels (R$37) na van. Já era 1h da manhã quando ela chegou. Estava vazia, passou em vários hotéis de Jerusalém até encher. Fiquei preocupado com o horário do voo, porque não sabia se ia demorar pra chegar ao aeroporto, que fica no meio do caminho entre Jerusalém e Tel Aviv, mas chegou bem rápido. Pouco antes de chegar, passamos por um checkpoint. Entrou um guarda na van, que olhou para todos os passageiros e pediu para verificar só o meu passaporte e de mais outro passageiro. Éramos os únicos estrangeiros na van. Esses guardas são treinados pra identificar fisionomias. Não me perguntou nada e liberou a van.

No saguão de embarque do aeroporto havia uma fila única pra passar a bagagem num detector de raio-x gigante. Para poder despachar a bagagem no checkin, tinha que passa-la primeiro nesse raio-x. Nessa fila, guardas pediam para ver o passaporte e faziam um monte de perguntas aos passageiros. Me perguntaram pra onde eu estava indo, onde eu estive em Israel, se tinha família judaica, se alguém tinha mexido na minha bagagem, etc. Depois de passar no raio-x, o guarda me levou até um quiosque, onde minha mochila foi toda revistada. Tiraram TUDO e revistaram até minhas meias sujas. Depois tive que arrumar a mochila toda de novo. Que fase ! Despachei a bagagem, e na hora de entrar no salão de embarque, mais outro raio-x pra bagagem de mão. Agora foi a vez da minha mochila pequena passar pelo pente fino. Revistaram tudo, inclusive o notebook e o pacote de biscoitos (!!). Chato demais passar por tudo isso, mas os israelenses precisam desse controle rigoroso. Eles sabem que estão cercados de países árabes que não são lá muito fãs de judeus.

Só faltava passar por sabatina de novo no controle de passaporte, mas felizmente a guarda só carimbou o cartão de imigração e não falou nada. Quem tiver um passaporte carimbado por Israel não pode entrar nos países árabes. Desta forma, Israel só carimba um cartão de imigração na entrada, que precisa ser apresentado junto com o passaporte na saída.

Finalmente embarquei às 4:30 da manhã rumo a Belgrado. E minha aventura na Terra Santa chegava ao fim. Israel é um lugar fantástico ! Só quem já foi pra lá entende do que estou falando. Minha visita foi muito mais interessante do que eu imaginava. Este foi o 2o país que mais gostei, entre os 44 por onde já passei, perdendo apenas pro Japão !!!

Publicado por alexpt 4:52 Arquivado em Israel Comentários (1)

Dia 20 - Jerusalém

sunny 29 °C

Finalmente acordei a tempo de pegar o café da manhã do hostel. Era bem básico: pão de forma, queijo, café, leite, sucrilhos. Nada de frutas, sucos ou iogurtes. E ainda tinha que lavar a louça no final. Pelo menos estava incluído na diária, coisa bem rara nos hostels.

Peguei o bonde na Yaffa Road para conhecer o Museu do Holocausto. Andar de bonde em Jerusalém é muito simples. Basta comprar a passagem num caixa automático existente nos pontos. Depois, ao embarcar, tem que validar a passagem numa máquina dentro do bonde. Custa 6,60 shekels (R$4) e é válida por 1 hora e meia, podendo ser usada também nos ônibus.

8A89DED52219AC68170113E47C885B1A.jpg

Desci na estação final, Mount Herzl, num bairro montanhoso e afastado do centro.

8A8ABBF42219AC68171912CE7994F51A.jpg
DSC00598.jpg
DSC00605.jpg

O Museu do Holocausto (Yad VaShem) fica perto do ponto final.

DSC00597.jpg

Na entrada, o guarda me olhou com uma cara de desconfiado e perguntou de forma ríspida: “Where are you from ?”. Como eu estava com a camisa do Flamengo, ele deve ter confundido com as cores da bandeira da Palestina.

8A8D9A602219AC68173F6B583287DE48.jpg

A entrada é gratuita. O museu é bastante interessante e mostra fotos, vídeos, relatos e objetos que retratam o holocausto, que foi o assassinato de 6 milhões de judeus por nazistas alemães em diversos países da Europa durante a 2ª Guerra Mundial. 6 milhões equivale a quase toda a população de judeus que vive atualmente em Israel. Vale notar que na época do holocausto os judeus eram uma minoria (15%) na então Palestina Britânica (territórios atuais de Israel, Faixa de Gaza e Cisjordânia). Após o retorno dos judeus para a “Terra Prometida”, eles são mais ou menos metade da população somada de Israel e dos territórios palestinos .

Não podia tirar foto no museu, mas eu baixei estas fotos da internet:

holocausto10.jpg
holocausto9.jpg
holocausto8.jpg
holocausto7.jpg
holocausto5.jpg
holocausto4.jpg
holocausto3.jpg

Em alguns vídeos, sobreviventes relatam detalhes macabros de como foi a captura pelos nazistas, o transporte em vagões superlotados até os campos de concentração, e a rotina de sofrimento nestes lugares. É de embrulhar o estômago.

No parque onde o museu está localizado há jardins e monumentos com homenagens diversas, como o memorial às crianças mortas durante o Holocausto, e a chama eterna.

holocausto11.jpg
holocausto12.jpg
holocausto13.jpg
holocausto14.jpg
holocausto15.jpg

Peguei o bonde de volta para o centro de Jerusalém, onde comi um falafel no mesmo lugar de ontem: o Mishiko, na rua Ben Yeruda. Essa lanchonete é bem famosa e tem um dos melhores falafels e shawarmas da cidade. É particularmente popular também entre os turistas (quase todos americanos). Todos os atendentes falam inglês.

8A94FAFC2219AC68172238E70359536C.jpg

Muitos restaurantes e lanchonetes exibem na parede o “Kosher Certificate”, atestando que o local só serve alimentos que respeitam a dieta kosher judaica, na qual determinadas regras precisam ser seguidas (como jamais misturar carne com laticínios, por exemplo).

DSC00610.jpg

O preço varia de acordo com o tamanho do pão: pita (pão sírio), laffa (um pita maior e mais fino) e baguette. O falafel no pão pita custa 15 shekels (R$9) e no laffa 20 shekels (R$12).

DSC00612.jpg

Você escolhe os ingredientes que vão acompanhar o falafel (bolinhas fritas de grão de bico) ou o shawarma (carne de carneiro): hummus, alface, tomate, picles, pepino, cebola, repolho e um molho picante.

DSC00611.jpg

Eis o resultado...muito bom !!

DSC00609.jpg

Depois resolvi fazer um passeio do tipo “Não Conta Lá em Casa”: fui conhecer a cidade de Belém (Bethlehem, em inglês), que fica na Cisjordânia (Palestina). Muitas agências de turismo de Jerusalém fazem excursões para cidades palestinas. As pessoas em geral se sentem mais seguras indo em grupos, e com um guia local. A questão é que essas excursões são bem caras. A agência de turismo do albergue onde fiquei cobrava 180 shekels (R$110) para um passeio de 4 horas em Belém. Pelo que li no Lonely Planet, era seguro ir por conta própria pra lá, bastando pegar o ônibus 21 na rodoviária árabe de Jerusalém, que fica ao lado do Portão de Damasco da Cidade Antiga. E como sou mochileiro e tenho espírito aventureiro, não pensei duas vezes: “vou pegar esse ônibus !”

Chegando na rodoviária, o ônibus estava lá, parado no ponto, com um monte de passageiros árabes embarcando. Pensei uma, duas, três vezes... confesso que bateu um frio na barriga. Amarelei. O ônibus foi embora, e eu fiquei lá sentado num banco tomando coragem para pegar o próximo. Deu uns 10 minutos e o ônibus seguinte chegou. Minha mente estava tentando encontrar alguma desculpa para eu não ir: “vai ser perrengue demais, não vai valer a pena”, “os soldados israelenses vão me fazer uma sabatina na hora de passar no checkpoint”, “vou me perder lá e nunca mais vou conseguir sair da Palestina”, “não tem nada de interessante lá para ver”. E antes que minha mente inventasse mais coisas, o segundo ônibus foi embora. Joguei a toalha. Levantei e já estava indo embora do lugar, mas me bateu de repente uma vontade louca de entrar no ônibus seguinte. Eu tinha certeza de que depois me arrependeria profundamente se eu fosse embora de Israel sem conhecer a Palestina. Voltei pro ponto. Chegou o terceiro ônibus. Respirei fundo, tomei coragem e entrei nele. Paguei a passagem pro motorista (7,30 shekels = R$4,50). Era um ônibus de turismo com ar condicionado. Só tinha árabes quando entrei, mas depois entraram também duas americanas e um casal gringo também. Uma das americanas (que devia ter uns 25 anos) sentou do meu lado e a gente ficou conversando. Ela falou que é cristã, estava morando por um tempo em Belém, e contou coisas interessantes de lá.

Belém é muito perto de Jerusalém. Fica a apenas 8 Km. Saindo do centro da cidade, o ônibus passou por um túnel, e ao sair do outro lado surgiu a imensidão do deserto.

Placa na estrada:

8A95C3B92219AC6817709229E9A7F429.jpg

O trajeto completo não demorou nem meia hora. Não passamos por nenhum checkpoint (controle de fronteira).

Na entrada de Belém, esta placa avisa que estamos entrando num território pertencente à Autoridade Palestina (Área A), e que é ilegal a entrada de cidadãos israelenses.

areaa.jpg

Explicando isso de maneira rápida: num acordo de paz entre israelenses e palestinos, a Cisjordânia foi dividida em Área A (administrada por palestinos, inclui cidades palestinas como Belém e Ramallah, esta última a capital administrativa da Palestina), Área B (controle militar de Israel e controle civil palestino, inclui vilarejos e áreas rurais palestinas) e Área C (controle israelense, inclui rodovias, assentamentos israelenses e o Mar Morto). Cidadãos israelenses não podem entrar na Área A. Palestinos têm livre acesso a todas as áreas da Cisjordânia, mas não podem entrar em Israel. Eles são barrados nos checkpoints nas rodovias pelos soldados israelenses que fazem o controle de fronteira. Não há como eles entrarem em Israel por fora das rodovias, porque toda a Cisjordânia está cercada por muros. Turistas estrangeiros têm livre acesso a todos os territórios de Israel e da Cisjordânia, bastando mostrar o passaporte quando solicitado nos checkpoints.

Olhando para este mapa fica mais fácil de entender. A parte em verde é administrada por palestinos (Área A), e o restante por israelenses. Os triângulos são assentamentos israelenses na Cisjordânia, motivo de ódio para os palestinos. Jerusalém fica bem na divisa entre a Cisjordânia e Israel.

cisjordania2.jpg

O governo israelense construiu um muro de cerca de 760km ao redor da Cisjordânia sob o pretexto de evitar a entrada de terroristas palestinos em seu território. Após grande parte do muro ter sido concluída em 2005, o número de atentados suicidas em território israelense de fato foi reduzindo drasticamente. No mapa abaixo, em vermelho, o traçado dos trechos concluídos do muro até no ano passado:

muro_cisjordania.jpg

Jerusalém está em território israelense, e o muro passa fora da cidade (linha vermelha no mapa abaixo). Desta forma, palestinos habitantes da Cisjordânia não podem entrar em Jerusalém, uma das cidades sagradas para o islamismo. Os israelenses têm total controle sobre toda a cidade, incluindo a parte oriental, que é árabe e pertencia à Jordânia (assim como toda a Cisjordânia) antes da guerra de 1967 vencida por Israel.

muro_jerusalem.jpg

Um trecho do muro na entrada de Belém:

DSC00615.jpg

O ônibus parou no ponto final, e ao descer dele, eu e os outros turistas fomos abordados por taxistas palestinos que queriam empurrar pra gente passeios com preços astronômicos. Eu tentei me afastar dali o máximo que eu pude e entrei na primeira rua que eu vi. O cara que veio atrás de mim era muito, mas muito chato e insistente. Eu falei várias vezes que não queria, mas ele sumia e minutos depois aparecia de novo tentando me convencer a pagar 150 shekels (R$92) por duas horas de passeio de taxi pelos principais pontos turísticos de Belém. Fui categórico: “I am the wrong guy, you are wasting your time”, mas mesmo assim ele ia atrás de mim. “Excuse me ! Excuse me ! My friend, wrong direction ! Wrong direction ! There’s nothing there !”. Ele ficava me mostrando um mapa, dizia que eu estava indo na direção errada e que as atrações eram para outro lado. Eu não tinha um mapa de Belém, e realmente não fazia idéia do caminho que deveria fazer para chegar à zona turística (onde fica a Igreja da Natividade), mas só pensava me afastar daquele mala. E deu certo. Deixei o cara falando sozinho, e depois de um tempo ele desistiu. Um quarteirão depois, olha só o que aparece: uma placa indicando o caminho da Igreja da Natividade !! Eu estava indo mesmo na direção correta, e o taxista mala estava querendo me enganar. Meu senso de direção intuitiva estava apurado :)

8A987DBA2219AC68171E74A8944F017C.jpg

Como estava sem mapa, bastou ir seguindo as placas e ir prestando atenção nas ruas, pois na volta teria que fazer o mesmo caminho de volta para chegar ao ponto de ônibus.

Belém é famosa no muito todo por ser a cidade onde Jesus nasceu. Eu imaginava um pequeno vilarejo palestino com casas pobres, gente humilde, rebanhos de cabras e paisagens bucólicas, mas me surpreendi. É uma cidade de 30 mil habitantes, com muitos prédios, hotéis, bancos, e um comércio diversificado. Confesso que não vi nenhuma pobreza. Muitos carrões passavam pelas ruas.

DSC00619.jpg
DSC00617.jpg
DSC00620.jpg
DSC00627.jpg
DSC00629.jpg

Vi muitos turistas estrangeiros na cidade, mas bem menos que em Jerusalém. Nenhum brasileiro. Em Jerusalém vi alguns poucos brasileiros.

Uma mesquita ao lado de uma propaganda de bicicleta, com link no Facebook e tudo:

DSC00616.jpg

Tudo em árabe...

8A9B69F32219AC6817BDE7F859B4FF22.jpg

Os números das casas também aparecem em algarismos árabes:

DSC00631.jpg

Os palestinos tem suas próprias empresas de serviços públicos (como telecomunicações) e bancos, não dependendo desta forma das empresas israelenses. Um orelhão (quebrado) da Palestine Telecomunications:

DSC00632.jpg

Bank of Palestine:

DSC00682.jpg

Provedor de internet:

DSC00678.jpg

Um ícone do capitalismo norte-americano bem no meio da Palestina:

8AA0A99A2219AC6817F6D184C73C24AB.jpg

Orgulho palestino:

8ABDC93B2219AC6817C71EB540F194C9.jpg

Carro da polícia palestina:

DSC00637.jpg

Enfim, depois de caminhar uns 20 minutos, cheguei à zona turística de Belém. Esta é a Praça da Manjedoura:

8AA3AFBB2219AC6817E59A9AD492BE88.jpg

A distância para Jerusalém. Tão perto que dava até pra ir correndo ou de bicicleta :)

8AB03C402219AC6817F6964A43BBC733.jpg

“Reze pela liberdade da Palestina”

8AB130B32219AC681767F886ECE8C717.jpg

A Igreja da Natividade, famosa por ter sido construída no local onde acredita-se que Jesus nasceu, uma estribaria com animais guardados por pastores. É uma das igrejas mais antigas do mundo, construída no século 4, época em que a região era uma província do Império Romano.

DSC00644.jpg

A entrada da igreja é feita por uma porta minúscula:

8AA53B6C2219AC68172D5D1C7172B141.jpg

O interior desta igreja é bastante simples:

DSC00648.jpg
8AA91DBC2219AC681729C9E5527B1813.jpg
DSC00651.jpg

Uma parte do piso original da igreja, um mosaico romano:

8AA62B222219AC681715545086FBF0B1.jpg

Uma multidão de turistas se aglomeravam para tocar na estrela prateada, o ponto onde acredita-se que Jesus nasceu:

8AAD08FD2219AC68175563D3E18BFA76.jpg
DSC00654.jpg

Aqui acredita-se que existia a manjedoura (lugar utilizado para alimentação de animais) onde Jesus foi colocado logo após ter nascido:

DSC00656.jpg

Saindo da igreja, dei uma volta rápida pelos quarteirões da Cidade Antiga, onde a Praça da Manjedoura e a Igreja da Natividade estão localizadas.

Mercados e uma mesquita:

DSC00661.jpg

Apesar da proximidade com Jerusalém, a Palestina na prática é realmente um outro país. A única coisa que faz lembrar Israel é a moeda (a Palestina também usa o shekel). Todo o resto é diferente: a cultura, o idioma, a religião...

Não há nenhum sinal do idioma hebraico em Belém. Nem mesmo nas placas indicando atrações turísticas. Os palestinos em geral falam inglês, então não tive problemas para me comunicar.

8AB22BBF2219AC68173A78FEE27C838B.jpg

Pichações em árabe:

8AB303D62219AC68177604D07F6237FA.jpg

Mercados:

DSC00666.jpg

Os preços na Palestina são bem mais baixos que em Israel, incluindo aí alimentação e hospedagem.

Moda muçulmana:

DSC00667.jpg
DSC00668.jpg
8AB74E862219AC68177B43E5BEA79A2E.jpg

Um portão na Cidade Antiga:

8AB66CF72219AC6817D71D1148AA2514.jpg

Grifes da lojas: Ralph Lauren, Hugo Boss, Calvin Klein, Brazil... :-)

DSC00674.jpg

Cartaz de um festival de música e dança com grupos palestinos e suecos. “Musica além das fronteiras”, diz o cartaz.

8ABACA022219AC6817621EBA3BCA691C.jpg

A bandeira palestina entre a foto do atual presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e do anterior, Yasser Arafat, que morreu em 2004. A ANP governa a Área A da Cisjordânia (cidades palestinas), além de ter controle civil (mas não militar) da Área B (vilarejos palestinos e áreas rurais). Governa também toda a Faixa de Gaza. O Estado da Palestina é atualmente reconhecido pela ONU e por 138 países, entre eles o Brasil. Apenas 9 não o reconhecem, entre eles os EUA, Israel (óbvio) e o Canadá.

8ABBA1162219AC6817FDECBEBC556EF0.jpg

Cartaz com a imagem do nascimento de Jesus e o mapa da Palestina ao fundo:

DSC00686.jpg

Bandeira palestina:

8AC557D52219AC68176371B06D421F44.jpg

Começou a ficar tarde e resolvi voltar pra Jerusalém. Fui fazendo o caminho de volta para o ponto do ônibus tentando me lembrar das ruas por onde passei na ida. Chegou uma hora que comecei a perceber que estava indo pelo caminho errado. Acontece que isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, porque me deparei, assim meio que sem querer, com a imensidão do muro que cerca a Cisjordânia. Esse muro passa dentro da cidade e me fez lembrar muito o muro de Berlim, porque também tem muitos grafittis e mensagens de protesto. A diferença é que o muro da Cisjordânia é muito mais alto. Neste trecho devia ter quase 10 metros !!

DSC00688.jpg
DSC00694.jpg

Alguns grafittis são emblemáticos: “Love wins”, “The wall must fall’, “Palestine will never die”. A sensação que fica é a de que a história de Berlim se repete na Palestina.

8AC29CDF2219AC6817A014B9BBC8F5CA.jpg
DSC00690.jpg

Um cartaz colado no muro avisa: "Este local foi ocupado ilegalmente”.

8AC0F9CF2219AC6817A389B73EFFAFDB.jpg

Voltei alguns quarteirões no caminho que tinha feito e consegui encontrar o ponto do ônibus:

8AC644962219AC6817F221F348438C6D.jpg

Poucos minutos depois, passamos no temido checkpoint para poder entrar em território israelense. Parecia um pedágio. O ônibus encostou e todos os árabes desceram para apresentar seus documentos para os soldados israelenses. Palestinos são proibidos de entrar em Israel. Estes árabes são cidadãos israelenses, muito provavelmente moradores de Jerusalém Oriental, que nasceram em Israel e formam cerca de 20% da população do país.

Os turistas estrangeiros não precisaram descer do ônibus. Subiram dois soldados israelenses (armados com fuzil) e pediram o passaporte a cada um dos passageiros. Momento tenso, mas no final das contas, não deu nada. O soldado só olhou o meu passaporte (nem abriu), e não perguntou nada.

DSC00706.jpg

No caminho de volta, a estrada passa por diversos trechos do muro que cerca a Cisjordânia (Palestina):

DSC00707.jpg

O ônibus chegou na rodoviária árabe de Jerusalém, e fui caminhando pela Yaffa Road.

Neste local, na movimentada esquina da Yaffa Road com King George Street, onde havia uma filial da rede de pizzarias Sbarro, aconteceu em 2001 um dos piores atentados terroristas da história de Jerusalém, de autoria de um suicida do grupo extremista islâmico Hamas. 15 pessoas morreram. Hoje no local há uma padaria.

8A87CC3E2219AC68171808093F1D1C67.jpg

Foi colocada uma placa em hebraico no local do atentado em homenagem às vítimas.

DSC00594.jpg

Felizmente os anos violentos em Israel parecem ter ficado para trás. Atualmente os confilitos estão concentrados na região da Faixa de Gaza, governada pelos fundamentalistas do Hamas. Jerusalém não teve nenhum atentado de 2004 até 2011, quando explodiu uma bomba num ponto de ônibus, matando uma pessoa. O governo israelense atribui a redução dos atentados à construção do muro em volta da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, o que estaria impedindo a entrada de terroristas palestinos em Israel. Desta forma, Israel vive uma espécie de renascimento, e o turismo, que estava sériamente afetado na época mais violenta há 10 anos, voltou com força ao país.

Vi este enigmático cartaz em muitos lugares de Jerusalém. Trata-se de uma homenagem póstuma ao rabino Menachem Mendel Schneerson, que foi um famoso líder de uma ramificação do judaísmo ortodoxo.

DSC00592.jpg

Comi um shwarma (kebab) na rua Ben Yeruda (26 shekels = R$16) e voltei pro albergue.

No quarto chegaram um italiano e dois caras de Taiwan. Eles ficaram espantados com a minha coragem quando eu disse que fui sozinho num ônibus árabe pra Palestina. Sobrevivi e voltei inteiro, são e salvo. Valeu muito a pena, foi uma experiência única !! Não tenho dúvidas de que corro mais riscos andando de noite numa rua deserta em qualquer grande cidade brasileira. Posso dizer que é totalmente seguro ir de Jerusalém para a Palestina por conta própria. Imaginava um monstro, e foi uma formiga. Em vez de gastar 180 shekels (R$110) com uma excursão, gastei apenas 14,60 (R$ 9) ! O medo, definitivamente, é caro.

Os taiwaneses também ficaram surpresos quando eu disse que no Brasil temos direito a 1 mês de férias por ano. Eles falaram que em Taiwan é só uma semana, e por isso, as pessoas aproveitam para viajar mais quando ainda são estudantes, porque sabem que depois que começam a trabalhar, praticamente não tem descanso. Dá pra ser feliz com 1 semana de férias por ano ??

Publicado por alexpt 6:31 Arquivado em Israel Comentários (3)

Dia 19 - Jerusalém

sunny 31 °C

Acordei tarde de novo e perdi o café da manhã do hostel, mas nem liguei. Acordar cedo nas férias não rola, né ? Ficar colocando despertador pra tocar, só em último caso, quando tem que pegar, por exemplo, voo às 9h da manhã (horário horrível que não combina com férias !). Uma coisa que aprendi depois de tantos mochilões: voo na parte da manhã, só mesmo quando não tem outra opção. Pode ser até mais barato, mas prefiro pagar mais caro e pegar um voo de tarde ou de noite.

2ª feira em Jerusalém. A cidade estava bastante movimentada.

A Yaffa Road, rua de pedestres que corta boa parte da cidade, e por onde passa uma linha de bonde:

5621CD6B2219AC6817FCA056628C8202.jpg
DSC00465.jpg

King George Street, uma das principais da cidade:

DSC00468.jpg

Placa de inauguração dessa rua em 1924, aberta durante o período em que Israel era administrado pela Grã-Bretanha. Os britânicos fizeram obras importantes na chamada Cidade Nova (tudo que fica fora da Cidade Antiga). Foram eles que determinaram que todas as construções da Cidade Nova precisariam ser feitas com pedra sabão, para combinarem com a Cidade Antiga. Até hoje esta regra é respeitada, e até mesmo prédios residenciais altos são assim. Jerusalém é uma cidade toda bege.

8B27773F2219AC6817BED969CF54AEF6.jpg

Um judeu ortodoxo tentando converter pessoas na rua:

56236B472219AC6817F467842B6BC38F.jpg

Uma curiosa propaganda com a foto do Ahmadinejad rindo. Aquele mesmo, que prega a destruição de Israel e nega publicamente que o Holocausto tenha existido. É simplesmente o cara mais odiado pelos israelenses. O que será que está escrito na propaganda ? Fiquei até curioso.

DSC00471.jpg

Fui para a Cidade Antiga, onde dei uma volta no setor armênio, o único que ainda não tinha conhecido. É o menor de todos e não tem nada que chame muito a atenção.

DSC00475.jpg

Neste setor há muitas coisas escritas no alfabeto armênio:

56261A742219AC6817C02A111A08ACAC.jpg
DSC00477.jpg

No setor judaico, entrei no Parque Arqueológico de Jerusalém, que fica ao lado da entrada da praça do Muro das Lamentações.

DSC00479.jpg

Muralhas que faziam parte do Segundo Templo, construído no século 6 AC e destruído pelos romanos no ano 70.

5629740B2219AC681744283E7E2AA0F1.jpg
562E47652219AC681791DE467D082678.jpg

Como eram as escadarias de entrada do templo:

562C5F682219AC6817864F0A84A403AD.jpg

Ruínas destas escadarias:

562A8E242219AC6817F09040D2E4E7CE.jpg
DSC00483.jpg
562D67972219AC6817C66B6C66BA0851.jpg

Ruinas de uma parte residencial que existia ao lado do Segundo Templo:

DSC00495.jpg
1048FDEF2219AC68177B2182CDE55250.jpg

Um portão triplo que existia e foi fechado:

1049E03A2219AC6817B92F6AC75692D4.jpg

Arqueólogos trabalhando:

DSC00501.jpg

Jarras que eram utilizadas para armazenar azeite e vinho:

563012792219AC6817FE85A7EDC93C1D.jpg

Uma cisterna:

DSC00503.jpg

A Cidade de Davi, um grande parque arqueológico que fica fora da Cidade Antiga. É a parte mais antiga de Jerusalém, com ruinas da época do Rei Davi (século 10 AC), personagem importante para judeus, cristãos e muçulmanos. Ele conquistou Jerusalém e tornou-a a capital do Reino de Israel (na época, um conjunto de tribos israelitas) e centro religioso do seu povo, trazendo muita prosperidade para a região. Seu nome é citado muitas vezes no Antigo Testamento da Bíblia. Foi ele que ordenou que a Arca da Aliança (que continha as tábuas dos Dez Mandamentos) fosse transportada para Jerusalém, onde anos depois seu filho e sucessor (Salomão) mandou construir um templo (o Templo de Salomão, ou Primeiro Templo) para guarda-la. Davi é famoso até hoje por ter matado em combate o guerreiro gigante Golias, inimigo do povo israelita, provando que “tamanho não é documento”.

DSC00504.jpg

Em frente a diversas atrações da Cidade de Davi, há placas com passagens do Antigo Testamento da Bíblia que mencionam estes lugares.

104ACD182219AC6817FB3C66EDC89FEA.jpg
DSC00509.jpg
104ECD542219AC68175793F30D9EAF57.jpg

Vista de Jerusalém Oriental (árabe):

DSC00507.jpg

Além das ruínas, o parque arqueológico tem também o Warren’s Shaft, um conjunto de túneis que transportavam água de uma nascente. O Hezekiah’s Tunnel tem cerca de meio metro de água, e por isso os visitantes tem que ir preparados (chinelo e bermuda/short). O outro túnel (Cannanite Tunnel) hoje em dia não tem água. Como eu estava de tênis, preferi ir por este último. O local estava com uma excursão enorme de crianças uniformizadas, e as filas estavam grandes. Parecia até alguma atração da Disney.

5632CB482219AC681757438C8CD7220B.jpg
104E03312219AC68178AD4CC105699F8.jpg
5633B2F42219AC6817133696D541835B.jpg

A Cidade de Davi tem ainda outra atração, a Siloah’s Pool, um grande reservatório de água também citado na Bíblia. O local estava com uma fila de crianças na entrada tão grande que desisti de entrar.

Saindo de lá, passei pela praça do Muro das Lamentações, onde estava um grupo de soldados do Exército israelense, incluindo muitas mulheres. Eles pareciam estar de folga.

DSC00518.jpg

Na Cidade Antiga vi muitas crianças pequenas andando sozinhas. Israel é um pais muito seguro, ao contrário do que se imagina no Brasil. Os pais não precisam se preocupar em acompanhar os filhos por todos os lados.

DSC00519.jpg

Saí da Cidade Antiga e peguei o bonde para ir ao Mahane Yehuda, um mercado enorme, que ocupa vários quarteirões. Neste local aconteceram dois atentados terroristas de suicidas palestinos, o último em 2002. Ali vende-se frutas, legumes, queijos, doces, pães, especiarias, carnes, e também há alguns bares, lanchonetes e restaurantes.

DSC00520.jpg
DSC00521.jpg
DSC00522.jpg
DSC00523.jpg
DSC00525.jpg
DSC00728.jpg

Almocei no Pasta Basta, um restaurante de massas neste mercado. Só soube que o nome do restaurante era esse porque foi indicado pela minha irmã (que visitou Jerusalém recentemente), e também é recomendado pelo Lonely Planet. O nome dele na fachada está no alfabeto hebraico.

DSC00529.jpg
DSC00531.jpg
DSC00528.jpg
563A26952219AC6817A4F880631D414A.jpg

O esquema desse restaurante é o seguinte: você escolhe no caixa o tipo da massa, o molho e os ingredientes adicionais (pagos à parte). Mas a massa não é preparada na hora, na sua frente, como no Spoletto. Você paga no caixa, dá seu nome, senta numa mesa e aguarda uns 5 min até a garçonete te servir. Todo mundo lá fala inglês, e tem cardápio em inglês também. Achei um esquema bom e barato em relação aos outros restaurantes da cidade. O meu prato custou 29 shekels (R$18). O local é pequeno, e de noite (após as 21h) fica bem cheio, por isso é melhor almoçar lá, ou jantar cedo.

DSC00530.jpg

Passei a parte da tarde no Mar Morto, que fica a cerca de 40Km de Jerusalém, na fronteira entre Israel e Jordânia. Fui pra lá com uma excursão que contratei na agência de turismo do albergue. Foi caro, custou 135 shekels (R$82), mas ir por conta própria achei que seria perrengue demais, porque dependeria de ônibus que não passam com muita frequência, e teria que ficar esperando um tempão debaixo do sol. E eu odeio esperar, ainda mais sem fazer nada.

Esse passeio saiu no final da tarde, às 16:30, para evitar o sol e forte calor do meio-dia.

Na van, além do guia, tinha duas coroas americanas, um espanhol, dois ingleses e um casal de franceses.

DSC00544.jpg

O guia foi contando no caminho várias coisas interessantes sobre Israel. Uma delas é que o Mar Morto e as rodovias por onde passaríamos ficam na Cisjordânia (Palestina), mas são territórios administrados pelos israelenses. Na ida não passaríamos por nenhum checkpoint israelense (controle de fronteira), mas na volta sim, pois palestinos não podem entrar em Israel. Estes tem livre acesso a todo o território da Cisjordânia, incluindo o Mar Morto. Os árabes que moram em Israel (incluindo Jerusalém Oriental) são cidadãos israelenses que nasceram lá. Há zonas na Cisjordânia que são administradas pelos palestinos, como as cidades de Belém e Ramallah. Nestes lugares, cidadãos israelenses não podem entrar, mas turistas sim. Parece confuso ? Eu também achei no começo e demorei um pouco para entender, mas depois de uns dias em Israel, respirando aquela realidade confusa, as peças começaram a se encaixar.

Para ajudar, um mapa mostrando a Cisjordânia (West Bank) e o Mar Morto. Repare que Jerusalém fica bem na divisa entre a Cisjordânia e Israel. A parte em verde está sob administração palestina, e o restante é administrada por israelenses. Os triângulos são assentamentos israelenses na Cisjordânia, motivo de ódio para os palestinos.

cisjordania2.jpg

Um pouco de História também ajuda a entender esse lugar. Entre o século 16 e o fim da 1a Guerra Mundial, o território onde hoje é Israel e Cisjordânia pertencia ao Império Turco-Otomano (islâmico). Com a queda deste império, a Grã-Bretanha passou a administrar a chamada “Palestina Britânica”, que englobava os territórios onde existem atualmente Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Após a 2ª Guerra Mundial, em 1947, a ONU determinou a saída dos britânicos e a partlha destes territórios em dois países, um judeu e outro árabe, conforme o mapa abaixo;

partilha_palestina.jpg

Israel aceitou a partilha e assinou imediatamente sua declaração de independência. Os árabes não aceitaram a partilha, e nem a independência de Israel. Isso provocou o início de uma guerra. Ao final dela, Israel aumentou seu território em 1/3. A Cisjordânia e Jerusalém Oriental passaram a pertencer à Jordânia. A Faixa de Gaza passou a ser controlado pelo Egito. Jerusalém ficou dividida ao meio (como era Berlim) até 1967, quando houve outra guerra e Israel ocupou novamente a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Desde então, a Cisjordânia é administrada por Israel, que a considera parte de seu território. Seus habitantes árabes chamam a Cisjordânia de Palestina e não a reconhecem como território pertencente a Israel. E a criação de assentamentos israelenses na Cisjordânia fez o ódio entre israelenses e palestinos crescer. No meio dessa confusão toda, ainda tem a rivalidade entre os palestinos do Fatah (moderados que condenam a violência; foi fundado por Yasser Arafat) e do Hamas (fundamentalistas islâmicos que apoiam atentados terroristas). Atualmente o Fatah governa os territórios palestinos na Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza.

Entendeu ? É complexo mesmo. Para conseguir entender melhor Israel, é preciso estar aqui e ver com os próprios olhos a realidade deste lugar. Foi o que eu fiz.

Um trecho da estrada por onde passamos, no meio do deserto, logo depois de sair de Jerusalém.

DSC00534.jpg

Um caminhão carregando um tanque israelense:

56418EC72219AC68174235D16FAE5D01.jpg

Na beira da estrada, acampamentos de beduínos (árabes que moram no deserto):

56434FE02219AC6817F5081FBDF4AA6E.jpg

Paramos neste ponto para tirar uma foto no marco zero, que fica no nível do mar. Dali em diante, a estrada ia descendo até atingir cerca de 400 metros abaixo do nível do mar. Isso mesmo. O Mar Morto é o ponto mais baixo da superfície terrestre (desconsiderando o fundo dos oceanos).

564634D52219AC68178BF8E500C1192D.jpg
564715C72219AC6817567960C7E2F331.jpg

Um camelo:

DSC00554.jpg

Tamareiras, já chegando no Mar Morto:

DSC00559.jpg

Nas margens do Mar Morto há diversos clubes onde paga-se para passar o dia e há alguma infraestrutura (bares, restaurantes, banheiros, cadeiras, barracas de sol e chuveiros). A excursão já incluía o ingresso do clube para onde fomos.

Uma coisa que chama muito a atenção é que, a partir da entrada do clube, tem que descer um barranco para entrar no Mar Morto. Isso acontece porque o nível dele está baixando ao longo dos anos. Milhões de anos atrás havia uma ligação com Mar Mediterrâneo, que ao longo do tempo foi secando até desaparecer. Desta forma, ele virou um imenso lago de água salgada. Com as mudanças climáticas que tornaram a região bastante árida, o nível do Mar Morto foi diminuindo ao longo do tempo, e por isso ele foi se tornando cada vez mais salgado, um efeito da evaporação da água. É a água mais salgada do mundo (tem 10 vezes mais sal que a água dos oceanos).

104F967D2219AC68179DC3D13A26C0D9.jpg

Por tudo isso, o Mar Morto é um lugar único no mundo. A paisagem é incrível !!! Na outra margem, a cerca de 18km de distância, fica a Jordânia.

564B04622219AC68172C390843FA2E85.jpg

Por causa da grande concentração de sal, não se pode abrir os olhos debaixo d´água, porque arde terrivelmente. Não é aconselhável nem mesmo mergulhar a cabeça. Beber a água pode trazer sérias consequências. Uma placa adverte os banhistas quanto aos riscos.

DSC00563.jpg

O Mar Morto tem esse nome porque não há nenhuma forma de vida em suas águas, à exceção de bactérias e algas. Ele foi citado muitas vezes no Antigo Testamento da Bíblia, onde foi chamado de outros nomes.

As margens cheias de crostas de sal:

564C10322219AC6817C53E22AC9DEE61.jpg

Como a água do Mar Morto é muito densa, o corpo humano boia fácilmente. É até difícil nadar lá, porque as pernas e braços sobem rapidamente para a superfície.

564CFE052219AC6817B83846D16AC6BA.jpg

O fundo do Mar Morto é todo de lama. Não tem areia ou pedra. Essa é a foto clássica que os turistas tiram quando vão para lá depois de se lambuzar de lama:

DSC00577.jpg

Como já estava no final da tarde, o sol estava bem fraco e a temperatura agradável. O guia disse que o Mar Morto mais cedo é extremamente quente.

DSC00589.jpg

Passamos umas 2h por lá, e depois o guia serviu pra gente chá e tâmaras. Em hebraico e árabe, a fruta também chama-se tamara.

564DD1FB2219AC6817D2D233FF40BC04.jpg

A van partiu de volta rumo a Jerusalém. No meio do caminho, passamos por um checkpoint israelense na divisa entre Cisjordânia e Israel. O soldado viu que era uma excursão do albergue e deixou passar. Não precisou nem mostrar o passaporte.

Tomei um banho no albergue e comi um falafel na rua Ben Yeruda (15 shekels = R$9).

No caminho, essa vitrine me chamou a atenção: era uma loja que vendia lenços que as judias ortodoxas usam para cobrir a cabeça. Notaram a semelhança com as muçulmanas ?

DSC00591.jpg

Publicado por alexpt 5:44 Arquivado em Israel Comentários (1)

Dia 18 - Jerusalém

sunny 33 °C

Acordei bem tarde, e perdi o café da manhã do albergue, que ia até 10h. O jeito foi comprar algo pra comer num mercado 24h que havia embaixo do albergue.

A Yaffa Road deserta em pleno sábado de manhã:

DSC00334.jpg

Azulejos em frente a Prefeitura de Jerusalém, com um mapa antigo mostrando a cidade como o centro do mundo:

55AB95162219AC68175A24D6B49706C0.jpg

Torre de Davi, uma cidadela dentro da Cidade Antiga, com ruínas e um museu contando a história de Israel.

55ACA0FF2219AC6817258C3FC94FEC55.jpg
55AD9DC82219AC6817E11A8B31DF5ECC.jpg
DSC00342.jpg
55B05A572219AC6817904238DA763386.jpg

No alto da Torre de Davi, a vista da cúpula dourada do Domo da Rocha (cartão-postal de Jerusalém) e o Monte das Oliveiras ao fundo:

55AE57FA2219AC681748B143BB7C387C.jpg

Vídeo que gravei com a vista:

Durante o shabbat, muitas atrações de Jerusalém (incluindo museus) ficam fechadas, mas a Torre de Davi é uma exceção.

O museu dentro da Torre de Davi é bem interessante, e serve como uma boa introdução para a complexa história de Israel.

Maquete mostrando como era Jerusalém na época do rei Salomão (séc. 10 AC):

55B1197C2219AC68179540B1BD08114F.jpg

Como era o Segundo Templo (séc. 6 AC) antes de ser destruído pelos romanos em 70 DC.

55B1F3112219AC6817C23571523F4655.jpg

Saindo da Torre de Davi, andei por cima das muralhas que cercam a Cidade Antiga. A entrada fica próxima a parte externa do Portão de Yaffa. Paga-se um ingresso para poder subir nas muralhas (o lugar é conhecido como "Ramparts Walk", em inglês).

DSC00363.jpg
55B3DB872219AC6817B62BE3BE53C28C.jpg
DSC00366.jpg
DSC00367.jpg

Vista da Abadia da Dormição, costruída no local onde Virgem Maria morreu.

DSC00369.jpg

Desci das muralhas e fui para o setor judaico da Cidade Antiga.

Uma viela do setor judaico:

55B873022219AC68179BD082A75BB96F.jpg

O Menorá, candelabro que é símbolo do judaísmo. Este exemplar, localizado próximo ao Muro das Lamentações, é todo de ouro.

55B758192219AC68178069C02F0C3C60.jpg

A praça do Muro das Lamentações, bem mais vazia que ontem.

DSC00378.jpg
DSC00382.jpg
DSC00386.jpg

Para se aproximar do muro, passando dessa divisória que está atrás de mim nessa foto, os homens tem que cobrir a cabeça. Quem não estiver com a cabeça coberta, pode pegar emprestado gratuitamente um quipá judaico logo ao lado da divisória. Esta parte também é dividida por sexo: homens à esquerda e mulheres à direita. Tem uma divisória separando a parte masculina da feminina.

109DDC502219AC6817A9A93EDE1F854E.jpg
55BEFA672219AC6817F167ACDBDB8CD4.jpg
DSC00384.jpg

Muitas pessoas colocam pedaços de papel com pedidos nas fendas do muro. Nesta parte não pode tirar foto, e fica um cara controlando e repreendendo os teimosos, mas basta ser discreto.

DSC00389.jpg

Uma praça cheia de bandeiras de Israel no setor judaico:

DSC00390.jpg

Sinagoga:

DSC00396.jpg

Judeus ortodoxos, que cumprem ao pé da letra os mandamentos do Torá, o livro sagrado do judaísmo. Várias regras são seguidas à risca: rezar ao menos 3 vezes ao dia, forte restrição ao uso de métodos anticoncepcionais (por isso os casais sempre têm muitas crianças), só alimentar-se de comida kosher (não pode comer carne com queijo, por ex), vestir-se com "modéstia" (trajes conservadores), não tocar em mulheres que não a sua (nem mesmo aperto de mão é permitido), respeitar a separação de sexo em lugares como escolas e sinagogas, e repeitar o shabbat, quando diversas atividades são proibidas (como trabalhar, andar de carro ou transporte público, escrever, cozinhar, lavar, etc).

DSC00391.jpg
DSC00393.jpg
55C7B7242219AC68179735228ADCA052.jpg
DSC00398.jpg

Ruínas do Cardo Maximus, uma grande avenida que cortava toda a Cidade Antiga há cerca de 2000 anos, durante a época em que Jerusalém estava sob domínio dos romanos.

55C9700C2219AC68179E577E040EC9D9.jpg
DSC00401.jpg

Trecho da muralha que cercava a Cidade Antiga no século 8 AC:

DSC00404.jpg

Lojas de souvenirs:

DSC00379.jpg
55CC9AF42219AC68176B7E3A575030D1.jpg

Comi um shwarma (kebab) por 20 shekels (R$12) nessa lanchonete. Reparei que o pessoal aqui precisa de umas aulas de higiene básica. Eles preparam o sanduíche com a mão, a mesma que pega no dinheiro e dá o troco (sem te agradecer...nunca agradecem). O atendente fura o pão sírio na metade com a mão (faca pra quê ??) e coloca o recheio lá (salada, hummus e carne de carneiro). O bom é que isso ajuda a criar anticorpos :) Pelo menos não passei mal nenhuma vez nessa viagem.

DSC00380.jpg

Feira no setor muçulmano:

DSC00410.jpg

Vídeo que gravei na feira:

Um açougue árabe:

DSC00413.jpg

Vendedor de suco de laranja. Muito comum ver por aqui estes vendedores, que usam no lugar do espremedor elétrico, uma prensa mecânica.

104643642219AC6817119DC21CFE9EF0.jpg

Uma loja com letreiro escrito em russo, algo comum por aqui. Cerca de 1 milhão de judeus russos vivem em Israel.

55CE8E012219AC68173EE1775993AE05.jpg

No setor cristão, a Igreja do Santo Sepulcro, construída no século 4 no local onde Jesus foi crucificado:

55D048F92219AC68177C38484C837B3E.jpg
DSC00422.jpg
DSC00424.jpg
55D88E152219AC681794C75379D41CF5.jpg
DSC00428.jpg

Subindo o Monte das Oliveiras, lugar sagrado para cristãos, judeus e muçulmanos. Segundo a Bíblia, Jesus trasmitiu ensinamentos neste lugar. Há um imenso cemitério judaico nesta área, que fica fora da Cidade Antiga, mas bem próxima ao Portão de Lion. Tem que subir uma longa escadaria, e é recomendado fazer isso de manhã cedo ou no final da tarde, quando o sol está mais fraco.

55DAB9172219AC6817077E5761D9A241.jpg

A vista incrível da Cidade Antiga no mirante do Monte das Oliveiras em frente ao Hotel Seven Arches:

DSC00449.jpg

O tempo todo ficavam uns molequinhos árabes abordando os turistas pedindo dinheiro ou tentando vender souvenirs.

DSC00452.jpg

Jerusalém Oriental é árabe, bastante diferente da parte ocidental (judaica). Logo ao lado do mirante do Monte das Oliveiras, a impressão era a de estar na Palestina e não em Israel. O lugar era visivelmente mais pobre. Eu fui abordado várias vezes por crianças árabes querendo me vender coisas ou pedindo dinheiro. Não vi turistas nem judeus nesta parte.

55DB76A62219AC6817C8170687B3A352.jpg

Bem na entrada desse bairro, uma enorme bandeira de Israel, que deve estar atravessada na garganta dos árabes que moram ali. Eles se consideram palestinos e não israelenses. Jerusalém Oriental pertencia à Jordânia até 1967 (assim como toda a Cisjordânia), quando Israel invadiu e assumiu o controle deste território. Entre 1948 e 1967 Jerusalém foi uma cidade dividida ao meio por um muro, assim com era Berlim. A Cidade Antiga e toda Jerusalém Oriental pertencia à Jordânia. Desta forma, os judeus ficaram 19 anos sem poder ter acesso ao lugar mais sagrado para eles, o Muro das Lamentações.

DSC00453.jpg

O idioma oficial passa a ser o árabe, e não há nada escrito em hebraico:

DSC00436.jpg
55DE13DF2219AC681761E1A69A08128B.jpg

Até o domínio do site é da Palestina (.ps):

55E04E052219AC6817EC18A2E1C9DDA6.jpg

Muita sujeira, ao contrário da parte judaica que é bem limpa:

DSC00437.jpg
55DEF07D2219AC681755325B36029D30.jpg

Um camelo, só para não me deixar esquecer que isso aqui é Oriente Médio ! :)

55E11EFE2219AC681785094D409DFBD6.jpg

Comi outro shwarma na Cidade Antiga e voltei para Jerusalém Ocidental. Depois do pôr do sol, o shabbat terminou e todo o comércio abriu. As ruas ficaram bem mais cheias.

55E4C1782219AC68178FEEE34393B7F1.jpg

Uma loja de quipás:

DSC00460.jpg

Voltei pro hostel, tomei um banho e fui procurar algum lugar legal pra sair à noite. Passei no bar do hostel (que estava bombando) e tomei uma cerveja israelense Goldstar de 0,5L. Muito cara ! 24 shekels = R$15. Uma das atendentes do bar estava com a camisa do Flamengo !! (repare na foto, ao fundo, à direita). Era brasileira e estava trabalhando lá.

55E73D312219AC6817BD2E76BCABCA41.jpg

Ben Yeruda, rua de pedestres muito conhecida em Jerusalém Ocidental. Como era um sábado a noite, estava bem movimentada. Ouvi muita gente falando inglês nas ruas de Jerusalém, inclusive judeus ortodoxos. Os turistas americanos são maioria absoluta em Israel. Há um laço muito forte entre EUA e Israel, que têm mais ou menos o mesmo número de habitantes judeus (cerca de 6 milhões cada). Os EUA investem fortemente em Israel e dão ajuda financeira, enquanto que Israel faz um lobby fortíssimo no congresso americano (inclusive financiando campanhas).

55E65A942219AC68176B19D7821A6124.jpg
DSC00456.jpg

Judeus cantando e brincando de roda na rua:

55E91CE92219AC6817D2D8C2075C1933.jpg

Video que gravei:

Uma rua de pedestres próxima a Ben Yeruda com bares lotados:

DSC00464.jpg

Achei a noite de Jerusalém meio fraca. Andei pelas região boêmia (arredores da rua Ben Yeruda) e entrei em vários bares, mas não achei nada de muito interessante. E para piorar, a cerveja é cara demais (raramente abaixo de 20 shekels = R$12). Achei que seria perda de tempo. Resolvi voltar pro hostel e dormir.

Publicado por alexpt 12:41 Arquivado em Israel Comentários (0)

(Textos 6 - 10 de 270) « Página 1 [2] 3 4 5 6 7 8 9 10 .. »