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Dia 7 - Atenas - Rodes

sunny 28 °C

A Grécia que conheci em 2007 é certamente bem diferente daquela que estou vendo agora. Aquele foi o último ano de crescimento da economia grega. De lá pra cá, ela já encolheu 20% (e continua caindo), e o desemprego é o mais alto da Europa, de quase 30%. A pouca pobreza que me lembro de ter visto era restrita a alguns imigrantes mendigando pelas ruas de Atenas. Agora ela está visivelmente maior. Vi muita gente pedindo esmola pelas ruas e dentro dos vagões do metrô. A fome virou uma realidade e a desnutrição infantil, algo impensável para um país europeu, é preocupante. As greves gerais são cada vez mais frequentes. O pior é que não há perspectiva de melhora no curto prazo. Enfim, é um cenário desolador. Felizmente a Grécia é um dos destinos turísticos mais interessantes do mundo, e o turismo, motor da economia, continua firme e forte, já que os maiores emissores de turistas para cá (Alemanha e Escandinávia) não sentiram ainda os efeitos da crise. O país recebeu no ano passado cerca de 16 milhões de turistas, e isso é 3 vezes mais que o Brasil recebe. Com o dinheiro que estou deixando aqui, ainda que não seja muita coisa, fico feliz em poder dar minha pequena contribuição para que este belo país possa se reerguer.

Paramos numa lanchonete perto do hotel para o café da manhã. Folhado de queijo feta (muito bom) por 1,50 euro, e suco.

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Ainda tínhamos algumas horas em Atenas antes de pegar nosso voo para Rodes. Aproveitamos para conhecer o Parque Olímpico dos Jogos de 2004.

Para chegar lá, pegamos o metrô até o bairro de Marousi, no subúrbio de Atenas.

Ficamos impressionados com o estado deplorável do Parque Olímpico. Passaram-se apenas 9 anos, mas a impressão é a de que o lugar foi abandonado depois dos Jogos de 2004. Sujeira, placas pixadas, muito mato e muita ferrugem.

Bilheterias abandonadas na entrada:

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Entrada do parque:

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Estádios Indoor:

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Piscinas:

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O abandono é visível:

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Atualmente o Estádio Olímpico é compartilhado pelos grandes clubes da cidade: AEK Atenas, Panathinaikos e Olympiacos. Estava fechado à visitação. Achei o Parque Olímpico de Atenas muito mal explorado turísticamente, em comparação com os outros que já conheci (Munique, Barcelona e Pequim). Não vi nenhum guichê de informações turísticas, e não havia nenhum turista lá além de nós. Imperdoável o estádio estar fechado à visitação.

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Estrutura enferrujada do estádio olímpico. Não sei por que eu lembrei do Engenhão...

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Todo este abandono serve de alerta para o Rio. É um exemplo a não ser seguido. A Grécia gastou um dinheirão para se preparar para as Olimpíadas (incluindo melhorias no metrô e aeroporto), estourou muito o orçamento inicial, atrasou o cronograma de obras, endividou-se até não poder mais e até hoje está pagando a conta disso tudo. Por conta dos Jogos de 2004, esperava-se um grande aumento do turísmo, o que nunca aconteceu, e o investimento que o governo fez nunca teve o retorno esperado. Foi uma aposta errada. Tudo isso deveria servir de alerta para aqueles que acham que os Jogos de 2016 vão fazer o Rio virar primeiro mundo. O Rio converteu-se de uns tempos para cá numa das cidades mais caras do mundo (incluindo aí o valor absurdo dos imóveis, hotéis, alimentação e serviços), e a desculpa é sempre a mesma: “Copa e Olimpíadas”. Espero que o desfecho não seja o mesmo da Grécia.

Segue um trecho extraído do Lonely Planet Greece que deveria servir de reflexão para nossos governantes: “After weathering doubts that they would never pull it off, Greece surprised the world by staging one of the best presented and efficient Games of the recent times. But at a cost. The budget blowout caused by increased security costs, lower than expected visitors and poor ticket returns means that Greece will be in the red for some years to come.” [obs: a edição desse livro é de 2005. Todo mundo sabe o que aconteceu depois…] “Many in the tourist and service industries across the Greek islands suffered badly during the 2004 summer. The anticipated windfall of hundreds of thousands of visitors to Greece and its islands never materialised, leaving many with hefty bills for renovations and investments. The tourist scene throughout the Aegean and Ionian seas in the summer of 2004 had never been thinner.”

Voltamos para o hotel para pegar a bagagem, e partimos para o aeroporto de metrô:

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Almoço no aeroporto: Greek Mac (no pão sírio). 3,70 euros.

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Propaganda na bandeja:

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O voo de Atenas a Rodes durou 1h:
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Rodes é uma das maiores ilhas do Mar Egeu, com 80km de um lado ao outro. Apesar de estar praticamente colada no litoral da Turquia, a ilha pertence à Grécia, mas nem sempre foi assim: ela pertencia aos turcos até 100 anos atrás, quando foi anexada pela Itália de Mussolini. Só foi devolvida à Grécia depois da 2ª Guerra Mundial.

Muitas civilizações já passaram por Rodes desde a pré-história: minóicos, micênicos, dóricos, persas, macedônios, romanos, bizantinos e turcos otomanos.

O Colosso de Rodes foi uma estátua de bronze de 32m de altura construída construída no século 3 A.C., e destruída por um terremoto no século seguinte. Foi considerada uma das 7 maravilhas da antiguidade. Atualmente não há resquícios da estátua, e nem mesmo se sabe ao certo o local exato onde ela ficava.

A ilha tem diversos vilarejos, alguns bem distantes um dos outros. A cidade de Rodes (Rhodes Town) é a maior da ilha, onde se concentram os principais hoteis, restaurantes e vida noturna. O aeroporto fica a uns 40min de ônibus da cidade de Rodes (2,20 euros).

O Manousos Hotel, onde nos hospedamos.

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Pagamos apenas R$73/pessoa a diária no quarto duplo, o mesmo que pagamos no hotel de Kiev. A diferença é que esse hotel de Rodes é muitooooo melhor. Não tinha classificação, mas se for comparar com os hotéis do Brasil, é nível 4 estrelas.

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A rua do hotel, com um monte de bares, restaurantes, mercados e outros hotéis. Fica a apenas uma quadra da praia.

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A praia de Rhodes Town (de pedras), com um mar azul turquesa !

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Andando pelas ruas, encontramos essas propaganda do Colorado Center, “world famous, live music, disco DJ, dance club”. Já havíamos decidido para onde iriamos de noite, eheheh !

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Jantamos na Taverna do Thomas (de comida grega) na rua do hotel. Foi bem avaliado pelo Lonely Planet. O dono (Thomas) é um coroa muito gente boa. Uma figuraça. Fez maior festa quando dissemos que somos brasileiros. Puxou logo um papo sobre futebol, e mostrou um quadro com uma foto antiga dele num time onde ele jogava quando era novo.

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Abrindo os trabalhos em Rodes com uma cerveja grega Mythos (2,90 euros, 500ml)

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Queijo feta de entrada:

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Moussaka (7,50 euros):

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Licor de menta (veio de brinde):

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Neste restaurante (e nos outros que vimos), há um monte de placas em línguas escandinavas. Os turistas dos países escandinavos são maioria em Rodes, fugindo do clima frio e cinzento mesmo no verão. Também vimos muitas placas de restaurantes escritas em russo e alemão.

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Demos uma volta numa rua de pedestres ao lado do hotel onde se concentra a vida noturna. Vários bares, um do lado do outro, e turistas de cabeça amarela aos montes. Tomamos uma cerveja grega Alfa no bar Alexander (o meu bar, ehhe) por 3,50 euros (long neck).

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Saímos de lá para escolher o próximo bar. Éramos abordados o tempo todo pelas promoters dos bares, que ficavam convidando a gente para entrar. Apareceram de repente 3 seguranças que me deram o maior esporro no meio da rua (“No bottles on the street !”). Perguntaram onde eu havia comprado a cerveja, e mandaram eu voltar para o bar para terminar de beber a cerveja lá. Só aí percebemos que realmente ninguém além de nós bebia na rua, ainda mais caminhando de um lado pro outro. Mania de brasileiro :)

Entramos na Colorado Club. Entrada 12 euros, com direito a um drink. Cerveja 500ml Amstel 6 euros. Drinks entre 8 e 10 euros.

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O local é um misto de casa de show e boate. Tinha uma banda tocando rock e pop, e no intervalo um DJ tocava dance music. Tocou até sertanejo (Gusttavo Lima).

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Ficamos por lá até as 5 da manhã.

Publicado por alexpt 14:15 Arquivado em Grécia

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Comentários

Qual é o problema de beber na rua?

por Enaldo Soares

É um fato. Londres esse ano aconteceu a mesma coisa...ficaram com a sensação de que a cidade ia estar muito lotada, os preços estavam muito altos, e os turistas acabaram recuando. No fim, vi várias reportagens de lugares que tiveram prejuízos com os jogos. Se isso foi um problema para uma cidade que já estava praticamente preparada, como Londres, imagine para o Rio e o Brasil...

por Gabi

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